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MIS - Museu da Imagem e do Som de São Paulo
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Local
AVENIDA EUROPA, 158 - JARDIM EUROPA - SÃO PAULO - SP CEP 01449-000
Conteúdo

Contaminado pelo ideal fluminense, o então governador de São Paulo, Abreu Sodré, incumbiu o jornalista Luiz Ernesto Kawall de organizar o similar paulista. Com uma comissão formada por destacados profissionais do cinema e do jornalismo – do qual constavam personalidades como o crítico Paulo Emílio Salles Gomes e o professor da USP Rudá de Andrade – a iniciativa foi posta em marcha. Antes de se instalar no atual endereço da Avenida Europa, o MIS percorreu regiões como Campos Elíseos, Avenida Paulista e Itaim. Porém, para garantir a estabilidade do espaço físico do MIS, o Estado encontrou o imóvel residencial pertencente desde os anos 1960 ao industrial Affonso Giaffone, construído para moradia dele e sua família. O edifício tinha a face da Avenida Europa murada e cercada por um imenso jardim, onde fica atualmente o estacionamento do MIS. Assim, numa Avenida Europa que ainda não abrigava estabelecimentos comerciais, foram iniciadas reformas de adequação técnica. Em 27 de fevereiro de 1975, com a exposição Memória Paulistana, o Museu da Imagem e do Som finalmente abriu suas portas para o público em sua sede permanente em São Paulo. Organizada por Rudá de Andrade, diretor técnico do MIS entre os anos de 1970 e 1981, a mostra representou um importante resgate histórico-cultural da memória da capital paulista, por meio de fotografias da cidade além de retratos de personalidades e anônimos, tendo também como resultado, a edição de um catálogo. As fotografias denotavam, ainda, a vocação do MIS para a exposição de mídias ainda não totalmente consagradas pelas instituições museológicas tradicionais e, já na introdução do catálogo de Memórias Paulistanas, se liam delineados os objetivos iniciais e o perfil do MIS paulistano. Como descrito, desde os primórdios até os dias de hoje, o museu tem como principal objetivo, “adotar as tendências museológicas mais avançadas para conseguir o caráter de museu moderno e ter como matéria a comunicação de massa, apoiada em recursos de imagens e de sons, para, assim, ser um museu vivo”. Além disso, se manter como um importante núcleo sobre comunicação cultural em um meio eficaz de difusão artística e educativa que atinja amplas camadas populares por meio da amplitude de sua programação, também era um objetivo do projeto. Ao longo de suas mais de quatro décadas de atuação, o MIS desenvolveu sua programação e constituiu seu acervo partindo dessas premissas. São marcantes os registros fonográficos existentes no acervo, que também servem como exemplo da vocação do MIS em fugir dos cânones tradicionais da historiografia.

Tradição e ruptura sempre fizeram parte da trajetória e da atitude do Museu da Imagem e do Som. Assim, a extensa programação que o MIS sediou – e continua sediando – o marcam como um importante espaço de fomento da linguagem audiovisual e da arte nas suas diferentes formas e técnicas, tanto no aspecto da produção, quanto no da exibição. Dessa forma, muitos fatos culturais fixaram o MIS com nitidez junto ao público, artistas, críticos e produtores culturais, como um espaço atento à exibição, questionamento e debate do que existe de relevante na área. O MIS – e seu acervo é prova disso – soube oferecer visibilidade e audiência às boas obras de artes plásticas, cinema, vídeo, fotografia e música, sem deixar de atender à documentação e conservação de importantes legados artísticos de imagem e som.

Entre os anos de 1990 e 2008, enquanto assistíamos à emergência das novas mídias tecnológicas e à expansão da arte para práticas híbridas, tornou-se necessário reinventar o MIS, sem perder de vista o seu patrimônio já constituído. Seguindo o desenvolvimento da arte contemporânea e preocupado com uma visão crítica sobre essa nova produção, o Museu da Imagem e do Som, lançou-se no desafio de adequar seu conceito institucional e sua estrutura física, sempre buscando integrar memória e contemporaneidade.

O MIS reabriu em agosto de 2008 inteiramente renovado para ser um museu público pronto para dialogar com a arte do século 21, sem deixar de lado a rica história acumulada desde os anos 1970. Suas instalações foram reformadas e renovadas, numa ação que possibilitou a adequação do edifício aos seus diversos eixos de atuação, mas sem se esquecer da importância de manter sua identidade como espaço cultural que fez história na cidade de São Paulo.

Na atualidade, o museu busca uma constante readequação de seu espaço e o incremento de sua programação, em busca de aumentar o acesso a bens culturais e criar novos olhares e novas releituras do papel do museu na sociedade. Caminhando em consonância com as novas linguagens da arte contemporânea e buscando ser um ambiente cultural efervescente com olhar para a memória, ações de fomento à educação e que, ainda, ultrapassa as barreiras de seu espaço físico para levar arte para todo o Estado de São Paulo.

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