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Uma Lingua Nova-2026-08-25 - Guia das Artes
Uma Língua Nova
Faltam 19 dias para o início06/08/2026|25/08/2026
Uma Língua Nova
Quando acontece
Terça, 25 Agosto até Sábado, 26 Setembro
dom
seg
11:00
19:00
ter
11:00
19:00
qua
11:00
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qui
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sex
11:00
19:00
sab
11:00
15:00
Local
Galeria Estação
Rua Ferreira Araújo, 625 - Pinheiros
Conteúdo

Com abertura em 25 de agosto e visitação até 26 de setembro de 2026, a Galeria Estação apresenta a exposição coletiva Uma língua nova. A mostra, que tem curadoria de José Augusto Ribeiro, reúne um conjunto de 60 obras de Arnold Schmidt, Aurelino dos Santos, Clovis Aparecido dos Santos, Enio Sérgio, Esther Morgannah, Josef Hofer e Ranchinho, propondo reflexões sobre linguagem e alteridade a partir de uma série de trabalhos produzidos por artistas diagnosticados com transtornos mentais e deficiência intelectual, convidando o público a vivenciar uma gramática própria e uma forma singular de construir imagens, narrativas e modos de existir. O vernissage, com início às 18h, incluirá, às 20h, um bate-papo entre o curador, o psiquiatra Dr. José Gallucci Neto e Eurípedes Junior, músico, pesquisador, museólogo e idealizador do Museu de Imagens do Inconsciente, ao lado da Dra. Nise da Silveira, que assinam textos do catálogo de Uma língua nova.

 

O título da mostra foi inspirado no conto No Quadrado de Joana, de Maura Lopes Cançado, escritora que ocupa lugar central na reflexão sobre literatura, sofrimento psíquico e luta antimanicomial. Para Ribeiro, a expressão "uma língua nova" sintetiza a experiência compartilhada pelos artistas reunidos na exposição ao projetar a invenção de linguagens que não se subordinam aos códigos estabelecidos pela história da arte, pela medicina ou pela cultura, afirmando modos particulares de percepção e criação.

 

"Nosso interesse era reunir artistas muito diferentes entre si, produzindo em contextos igualmente distintos. Essa diversidade impede interpretações homogêneas sobre esse conjunto de obras, justamente porque ele não constitui um tipo unívoco de produção", afirma o curador. "Cada artista parece desenvolver uma linguagem própria que escapa aos repertórios artísticos mais conhecidos e validados no circuito da arte. O título descreve, justamente, essa situação de liberdade na criação de imagens e objetos."

 

Embora dialogue com uma tradição que valorizou a produção artística como expressão legítima, Uma língua nova não pretende reafirmar a categoria da chamada "arte da loucura". Ao contrário, parte do princípio de que essas obras devem ser vistas antes de qualquer enquadramento clínico ou biográfico, reconhecendo sua força estética, inventividade formal e autonomia poética. A idealização da exposição também está intimamente ligada à trajetória da própria Galeria Estação. Ao longo das últimas duas décadas a instituição reuniu em seu acervo trabalhos de artistas que produziram à margem dos circuitos tradicionais da arte.

 

"Todas as mostras que fazemos são muito importantes para nós. Esta tem algo mais: uma emoção singular. Nela reunimos sete artistas que têm em comum alguma condição cognitiva e durante toda a vida exerceram e exercem o talento e a criatividade como a linguagem através da qual se revelam. Dos sete conheci pessoalmente apenas o Ranchinho e o Clovis. No caso dos outros minha relação foi diretamente com as obras.

O curador convidado, José Augusto Ribeiro, pesquisou e conviveu com as obras até ter certeza de que a seleção é a que agora mostramos. Além dele, temos o privilégio de publicar textos de outras duas pessoas muito especiais. O convite ao Eurípedes Junior e ao Dr. José Gallucci Neto se deve ao fato de que ambos convivem, cada um em sua especialidade, com pessoas com algum transtorno mental. Esperamos que Uma língua nova seja uma exposição que, além de chamar atenção para questões que talvez preferíssemos evitar, também emocione o público", afirma Vilma Eid, sócia-fundadora da Galeria Estação, no texto de apresentação da exposição.

 

Linguagens singulares

 

Longe de constituírem um grupo homogêneo, os sete artistas reunidos na mostra apresentam trajetórias, contextos e processos criativos profundamente distintos. Há autores que passaram por longos períodos de institucionalização psiquiátrica e outros cuja produção se desenvolveu em ambientes familiares; artistas autodidatas e criadores que estabeleceram relações consistentes com museus, ateliês e centros de pesquisa; brasileiros e europeus; desenhistas, pintores e escultores cujas obras nasceram de experiências absolutamente particulares.

 

Essa diversidade constitui um dos fundamentos da curadoria. Em vez de buscar semelhanças biográficas, Ribeiro aproxima produções que compartilham outra característica: a capacidade de instaurar sistemas próprios de representação, independentes de convenções acadêmicas ou expectativas do circuito artístico.

 

Nesse percurso, o visitante encontrará o universo simbólico das pinturas e esculturas de Clovis Aparecido dos Santos, as construções visuais de Arnold Schmidt, a produção intensa de Ranchinho – presente na mostra com 14 pinturas –, a pesquisa formal de Josef Hofer, as esculturas de influência asteca e inspiração marítima de Esther Morgannah e as abstrações multicoloridas das obras de Enio Sérgio, compondo um panorama que evidencia não uma identidade comum, mas a riqueza de diferentes modos de imaginar, organizar e reinventar o mundo.

 

Ao reunir essas produções em um mesmo espaço, Uma língua nova também dialoga com um capítulo decisivo da história da psiquiatria brasileira. Sem transformar esse contexto em tema central da exposição, a curadoria destaca o legado de pesquisadores como Osório César e Nise da Silveira, pioneiros ao compreender a produção artística como forma legítima de expressão, rompendo com leituras exclusivamente patologizantes da experiência psíquica. Essa perspectiva ganha fôlego no texto de catálogo do psiquiatra Dr. José Gallucci Neto, que propõe um deslocamento fundamental: em vez de buscar nas obras a confirmação de um diagnóstico, convida o espectador a reconhecer nelas a singularidade de uma experiência estética. Segundo ele, a criação artística não pode ser reduzida a sintoma, tampouco compreendida como consequência do sofrimento mental. Cada obra estabelece uma relação própria com a linguagem, produzindo sentidos que ultrapassam enquadramentos clínicos.

 

Nesse contexto interpretativo, a exposição também se aproxima da trajetória do Museu de Imagens do Inconsciente (MII), cuja contribuição para a preservação e o estudo dessas produções permanece incontornável. A interlocução com a instituição foi decisiva para a mostra, permitindo incorporar obras de Esther Morgannah e Enio Sérgio, que têm trabalhos apresentados pela primeira vez em São Paulo, e ampliar o horizonte inicialmente formado pelo acervo da Galeria Estação.

 

Como observa Eurípedes Junior, músico, museólogo, curador e pesquisador que atuou por 30 anos no MII, autor de Do Asilo ao Museu: Nise da Silveira e as coleções da loucura (Editora Holos, 2024), esse patrimônio não representa apenas um capítulo da história da psiquiatria, mas um conjunto de obras que conquistou reconhecimento artístico próprio, exigindo novas formas de preservação, pesquisa e difusão. Ao longo das últimas décadas, esse acervo deixou de ocupar exclusivamente o campo da saúde mental para integrar o debate sobre arte brasileira e produção contemporânea.

 

Essa mudança de perspectiva também atravessa a própria concepção curatorial. Ao comentar o processo de pesquisa, Ribeiro ressalta que a exposição não pretende construir um panorama sobre doença mental, mas criar uma situação em que cada artista pudesse ser reconhecido por sua potência inventiva.

 

É justamente nesse ponto que o diálogo com Maura Lopes Cançado revela convergência. A expressão "uma língua nova" não funciona como metáfora da loucura, mas como símbolo de resistência às classificações. Assim como a escritora construiu uma obra que tensiona os limites entre literatura, experiência e linguagem, os artistas que compõem a exposição elaboram universos visuais que nascem de regras próprias, indiferentes às convenções estéticas ou aos sistemas tradicionais de interpretação.

Ao reunir artistas de origens, gerações e percursos tão distintos, a Galeria Estação reafirma uma vocação que acompanha sua trajetória desde a fundação em 2004: ampliar o campo da arte brasileira a partir de produções que desafiam fronteiras culturais, sociais e estéticas. Em Uma Língua Nova, esse compromisso encontra uma de suas expressões mais contundentes.

 

Sobre a Galeria Estação

 

Com um acervo entre os pioneiros e mais importantes do país, a Galeria Estação, inaugurada no final de 2004 por Vilma Eid e Roberto Eid Philipp, consagrou-se por revelar e promover a produção de arte brasileira não-erudita. Sua atuação foi decisiva para a inclusão dessa linguagem no circuito artístico contemporâneo ao editar publicações e realizar exposições individuais e coletivas sob o olhar dos principais curadores e críticos do país. O elenco, que passou a ocupar espaço na mídia especializada, vem conquistando ainda a cena internacional ao participar, entre outras, das exposições Histoire de Voir, na Fondation Cartier pour l'Art Contemporain, na França, em 2012, e da Bienal Entre dois Mares -- São Paulo | Valencia, na Espanha, em 2007. Emblemática desse desempenho internacional foi a mostra individual Veio -- Cícero Alves dos Santos, em Veneza, paralelamente à Bienal de Artes, em 2013. No Brasil, além de individuais e de integrar coletivas prestigiadas, os artistas da galeria têm suas obras em acervos de importantes colecionadores e de instituições de grande prestígio e reconhecimento, como a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Museu de Arte de São Paulo, o Museu Afro Brasil (SP), o Pavilhão das Culturas Brasileiras (SP), o Instituto Itaú Cultural (SP), o SESC São Paulo, o MAM- Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e o MAR, na capital fluminense.

 

 

Sobre José Augusto Ribeiro

 

José Augusto Ribeiro é curador e professor de História da Arte com mestrado e doutorado em Teoria, História e Crítica de Arte pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Entre as exposições recentes que organizou estão a coletiva O Horror, o Humor e o Absurdo (2026), que reuniu artes visuais e cinema, na Casa de Cultura do Parque, em São Paulo, e Carlos Martins: Sombra da Terra (2025), apresentada em Porto Alegre, na Fundação Iberê Camargo, e no Rio de Janeiro, no Paço Imperial. Antes, trabalhou como curador sênior da Pinacoteca de São Paulo, de 2012 a 2022. Entre as exposições que organizou na instituição nesse período estão A Máquina do Mundo – Arte e Indústria no Brasil 1921-2021, apresentada de novembro de 2021 a fevereiro de 2022; No Subúrbio da Modernidade – Di Cavalcanti 120 anos (prêmio da Associação Paulista de Crítica de Arte de 2017, na categoria Melhor Exposição Retrospectiva), em cartaz de agosto de 2017 a janeiro de 2018; Fora da Ordem – Obras da Coleção Helga de Alvear (2016), em parceria com o curador Ivo Mesquita; e Uma Coleção Particular: arte contemporânea no acervo da Pinacoteca, realizada entre novembro de 2015 e janeiro de 2016. Trabalhou também como diretor do Departamento de Artes Visuais do Centro Cultural São Paulo, de 2010 a 2012, onde realizou as exposições Antonio Malta e Erika Verzutti (2012); José Damasceno – Storyboard (2012); e Fernanda Gomes – Monográficas (2011), indicada ao Prêmio Bravo! na categoria de Melhor Exposição do Ano. Foi curador de mostras realizadas em outras instituições do Brasil, a exemplo de Um mundo a perder de vista – Guignard (2009), apresentada na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre.

 

Sobre José Gallucci Neto

 

Dr. José Gallucci Neto é um médico psiquiatra e pesquisador clínico reconhecido nacional e internacionalmente por sua atuação de vanguarda na psiquiatria intervencionista e na neuromodulação, com destaque no tratamento de transtornos psiquiátricos graves e resistentes às terapias convencionais. Graduado em Medicina, obteve o título de Mestre em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) em 2010. Alinhando sua prática às inovações globais, realizou em 2020 um fellowship em Eletroconvulsoterapia (ECT) na prestigiada Columbia University, em Nova York. Sua atuação em grandes centros de saúde inclui a fundação e coordenação da residência médica em psiquiatria do Instituto Bairral, uma das maiores instituições psiquiátricas da América Latina. Por sua excelência clínica e dedicação ao serviço público, recebeu por duas vezes (em 2007 e 2020) o prêmio de Melhor Médico Psiquiatra Assistente do Ano concedido pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP (IPq-HCFMUSP). Também possui o título honorífico de International Fellow da American Psychiatric Association.

 

Sobre Eurípedes Junior

 

Eurípedes Gomes da Cruz Junior é músico, museólogo, pesquisador e curador, amplamente reconhecido como um dos mais importantes continuadores do legado da psiquiatra Dra. Nise da Silveira. Sua trajetória profissional e acadêmica confunde-se com a própria história da reforma psiquiátrica e da valorização da arte como expressão do inconsciente no Brasil. Iniciou seu trabalho ao lado da Dra. Nise da Silveira na Casa das Palmeiras – clínica pioneira fundada por ela em 1956 com o objetivo de reintegrar ex-internos psiquiátricos à sociedade através do afeto e da liberdade. Graduado em Música e Composição pela UFRJ, Eurípedes utilizou inicialmente a sensibilidade musical para criar oficinas e atividades de expressão sonora voltadas aos frequentadores do espaço. Posteriormente, consolidou sua atuação no Museu de Imagens do Inconsciente (MII), no Engenho de Dentro, Rio de Janeiro, trabalhando diretamente com a Dra. Nise da Silveira por cerca de 25 anos, integrando a equipe original que revolucionou os métodos terapêuticos tradicionais e violentos da época




SERVIÇO

Exposição Uma língua nova

Curadoria de José Augusto Ribeiro

Período: de 25 de agosto a 26 de setembro de 2026

Abertura: 25 de agosto de 2026, às 18h. Bate-papo com José Augusto Ribeiro, Dr. José Gallucci Neto e Eurípedes Junior, às 20h.

Espaço expositivo: 2º andar e mezanino

Contato
Telefone: (11) 3813-7253
Email: contato@galeriaestacao.com.br
Site: www.galeriaestacao.com.br/
Instagram: @galeriaestacao
* Os horários podem variar em função de férias e feriados. Recomendamos ligar antes para verificar.
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