
O breve e memorável discurso de Krenak, apresentado em um vídeo de pouco mais de três minutos, é parte da exposição Adornos do Brasil Indígena: Resistências Contemporâneas, em cartaz no Sesc Pinheiros. Concebida a partir de uma parceria entre o Sesc e o MAE (Museu de Arqueologia e Etnologia da USP) e com curadoria partilhada entre Moacir dos Anjos e a equipe do museu, a mostra coloca em diálogo adornos indígenas de diferentes épocas e trabalhos de importantes nomes da arte contemporânea.
Fundamentada na percepção do adorno enquanto elemento de resistência e luta pelo direito à identidade – não apenas como objeto de embelezamento ou enfeite –, a exposição propõe um diálogo entre o acervo etnológico do MAE e a produção de artistas que, mesmo sem origem indígena, tratam de temas caros a estes povos. “A ideia não é colocar um universo simbólico submetido ou reduzido ao outro.
Os artistas contemporâneos não estão ali simplesmente para espelhar questões trazidas pelos artefatos indígenas, nem estão ali para fazer um discurso completamente paralelo, afastado do acervo. Nossa tentativa foi justamente criar uma exposição onde estes dois universos estão coexistindo no mesmo espaço, e criando aproximações, distanciamentos, atritos, acolhimentos e tensões, mas sempre dando ênfase a questão da resistência”, explica Dos Anjos.














