Juarez Machado (1941 – 2026)
Morre aos 85 anos o pintor, cartunista e mímico que levou o humor e a boemia para telas de todo o mundo.
O Brasil se despede de Juarez Machado. O artista plástico morreu na terça-feira, 6 de outubro, aos 85 anos, em Vassouras, no interior do Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pelo Instituto Internacional Juarez Machado (IIJM) nas redes sociais, segundo a CNN Brasil. De acordo com o jornal O Tempo, ele sofreu uma parada cardíaca durante a internação. A NSC Total informa que ele havia sido diagnosticado com pneumonia e estava em cuidados médicos desde a semana anterior.
Morre artista plástico Juarez Machado, aos 85 anos +4
Pintor, escultor, desenhista, caricaturista, ilustrador, cenógrafo, mímico e escritor, Juarez construiu uma das trajetórias mais singulares da arte brasileira. Sua obra uniu humor, irreverência e uma paleta de cores intensas.
Do talento precoce ao cartunista do Rio:
Nascido em Joinville (SC), em 16 de março de 1941, Juarez era filho de um colecionador e caixeiro-viajante e passou boa parte da infância ao lado da mãe, também artista. Começou a desenhar muito cedo e gostava de modelar esculturas em barro. Aos 14 anos, começou a trabalhar em uma gráfica, produzindo rótulos de remédios, embalagens e cartazes.
Aos 20 anos, mudou-se para Curitiba, onde estudou na Escola de Música e Belas Artes do Paraná entre 1961 e 1965. Fez sua primeira exposição individual em 1964. Em 1966, foi morar no Rio de Janeiro, onde viveu por duas décadas. Lá, circulou entre grandes nomes do humor e da literatura, como Ziraldo, Jaguar e Millôr Fernandes, e foi chargista dos principais jornais do país.
O mímico do Fantástico:
Em 1973, Juarez ganhou um quadro de humor e arte nos primeiros anos do Fantástico, da TV Globo. Nas vinhetas animadas, com cenários criados por ele, atuava como mímico, o "desenhista do gesto", como gostava de dizer. Aparecia com o rosto pintado de branco e interagia com os próprios desenhos. Segundo o portal Alô Alô Bahia, as aparições silenciosas tornaram o artista nacionalmente conhecido nos anos 1970.
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Paris e o cinema:
No fim dos anos 1970, passou a se dedicar exclusivamente à pintura. Para internacionalizar a carreira, viajou a Nova York, Londres e, por fim, Paris. As fontes divergem sobre a data da mudança definitiva (entre 1978 e o início dos anos 1980), mas em 1986 ele se estabeleceu em Montmartre, onde manteve seu principal ateliê e passou a expor regularmente na Europa e nos Estados Unidos.
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Sua pintura é figurativa, de inspiração art déco, e mistura ilustração e quadrinhos. Mulheres, bicicletas e cores intensas são marcas recorrentes, em cenas de romance e sedução ambientadas na vida noturna dos anos 1920. Segundo o jornal Diário Catarinense (NSC Total), o cineasta Jean-Pierre Jeunet viu uma exposição de Juarez em Paris e encontrou ali as cores que queria para "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain". Dois quadros do artista aparecem no filme, ao lado da cama da protagonista.
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Um legado em Joinville:
Apesar da projeção internacional, Juarez manteve forte ligação com a cidade natal. Em 2014, cumpriu uma promessa feita aos 19 anos e fundou, ao lado do irmão Edson Machado, o Instituto Internacional Juarez Machado, no terreno da antiga casa dos pais. O espaço reúne obras e lembranças da família e do artista, incluindo a famosa bicicleta de rodas quadradas, e tem cafeteria, biblioteca e loja.
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Em 2015, para celebrar um ano do Instituto, ele reuniu 200 peças na mostra "Juarez Machado na Hora do Recreio". Na ocasião, declarou: "Eu trabalho muito com o deboche, o humor é uma forma crítica que provoca e diverte". Em 2021, a exposição "Volta ao Mundo em 80 Anos", no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, reuniu 166 obras de todas as fases da carreira.
Juarez também foi autor de livros de imagem, formato em que apostou bastante, como Ida e Volta, de 1976. Segundo um estudo da Unioeste, a ideia original de um deles surgiu em um sonho.
A morte do artista gerou comoção em Joinville. O Joinville Esporte Clube lembrou, em nota de pesar, que a história de Juarez se confunde com a identidade cultural da cidade. Ele deixa três filhos.
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Fontes: CNN Brasil, O Tempo, NSC Total, Alô Alô Bahia, BandNews FM Curitiba, Instituto Internacional Juarez Machado (IIJM), Unioeste e acervo do Guia das Artes.








