Simone Ronzani estreia no Fuorisalone de Milão com luminária-escultura em fibra de bananeira
Sob curadoria de Pedro Gallasso, artista brasileira apresenta “Musa Tropical”
Orientada pela potência estética e estrutural das fibras e matérias orgânicas, a artista visual Simone Ronzani estreia, em 2026, no Fuorisalone de Milão — um dos mais relevantes eventos de design do mundo — com a luminária-escultura Musa Tropical. Integrando a curadoria de Pedro Gallasso, a peça traduz pesquisa recente da artista sobre fibras naturais, luz e brasilidade contemporânea.
“Eu comecei a me interessar pela fibra da bananeira justamente pelo momento em que ela deixa de ser vista como planta e passa a revelar sua estrutura interna. Depois do ciclo de vida, o que sobra é uma trama muito delicada, quase como um tecido natural. E quando a luz atravessa essa matéria, ela ganha outra dimensão — deixa de ser só material e passa a ser passagem. O meu trabalho nasce dessa observação: usar a fibra não como revestimento, mas como corpo que filtra, respira e transforma a luz”.
Após mais de duas décadas de atuação como jornalista, Simone migrou para as artes visuais há apenas três anos, construindo, em curto espaço de tempo, uma trajetória consistente e autoral. Nesse período, participou da Casa Cor 2024 com cinco peças no ambiente Estúdio da Estilista, assinado pela arquiteta Marcela Martins; teve três estampas licenciadas para o Cristo Redentor; assinou a instalação artística Pomar Tropicália, premiada como Hors Concours na mostra Morar Mais Rio 2025; e teve o projeto Jardim Carioca selecionado pelo Programa Novos Talentos Brasileiros 2025. Também em 2025, destacou-se com nove peças exclusivas na Casa Design Niterói.
Fundadora do ateliê Casa Auguri!, sua produção transita entre arte, design e fazer manual, com foco em narrativas de brasilidade contemporânea.
Musa Tropical — a luz que revela a fibra da bananeira
A luminária-escultura Musa Tropical nasce da observação da bananeira (que tem como nome científico “Musa”, daí a inspiração), uma das plantas mais emblemáticas das paisagens tropicais. A peça é construída a partir da chamada “renda da bananeira” — fibra extraída do pseudocaule da planta, que revela sua delicada arquitetura interna. Ao envolver uma estrutura cilíndrica de palitos de bambu, material estrutural ancestral dos trópicos, essa fibra vegetal transforma-se em uma pele luminosa. Sua forma cilíndrica remete ao próprio corpo da bananeira: um “tronco” formado por camadas vegetais sobrepostas que sustentam o crescimento da planta.
Quando iluminada, a trama da Musa Tropical revela sua textura como um verdadeiro raio-X vegetal, tornando visível aquilo que normalmente permanece oculto na matéria viva. Uma faixa central aberta permite que a luz escape como um fluxo contínuo, evocando a circulação de seiva e energia no interior da planta.
Entre arte, design e experimentação material, Simone Ronzani transforma um resíduo natural em paisagem luminosa. A obra celebra a abundância e a inteligência da natureza tropical, onde fibra, estrutura e luz se encontram para anunciar o nascimento de um novo ciclo — quando a matéria outrora viva ressurge sob outra forma e ganha nova presença no mundo.











