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Pinacoteca de São Paulo une arte, luta e ancestralidade na exposição ‘Enciclopédia negra’ - Guia das Artes
Pinacoteca de São Paulo une arte, luta e ancestralidade na exposição ‘Enciclopédia negra’
Pinacoteca de São Paulo une arte, luta e ancestralidade na exposição ‘Enciclopédia negra’
inserido em 2021-05-12 19:45:14
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A Pinacoteca de São Paulo traz ao público uma exposição necessária e plural.

Trazendo à tona personalidades negras ignoradas pela história, a exposição “Enciclopédia negra” apresenta 103 obras realizadas por artistas contemporâneos para um livro homônimo dos pesquisadores Flávio Gomes e Lilia M. Schwarcz e do artista Jaime Lauriano.

Em cartaz até 8 de novembro de 2021, a mostra é um desdobramento da publicação, que saiu em março de 2021 pela Companhia das Letras, e também se conecta com a nova apresentação da coleção do museu que se apoia em questionamentos contemporâneos e reverbera narrativas mais inclusivas e diversas.

No livro, estão reunidas as biografias de mais de 550 personalidades negras, em 416 verbetes individuais e coletivos. Muitos desses personagens tiveram as suas imagens e histórias de vida apagadas ou nunca registradas. Para interromper essa invisibilidade, 36 artistas contemporâneos foram convidados a produzir retratos dos biografados.

 
 

São eles: Amilton Santos, Antonio Obá, Andressa Monique, Arjan Martins, Ayrson Heráclito, Bruno Baptistelli, Castiel Vitorino, Dalton Paula, Daniel Lima, Desali, Elian Almeida, Hariel Revignet, Heloisa Hariadne, Igi Ayedun, Jackeline Romio, Jaime Lauriano, Juliana dos Santos, Kerolayne Kemblim, Kika Carvalho, Lidia Lisboa, Marcelo D’Salete, Mariana Rodrigues, Micaela Cyrino,Michel Cena, Moisés Patricio, Mônica Ventura, Mulambö, Nadia Taquary, Nathalia Ferreira, Oga Mendonça, Panmela Castro, Rebeca Carapiá, Renata Felinto, Rodrigo Bueno, Sonia Gomes e Tiago Sant’Ana.

A exposição “Enciclopédia negra” apresenta todos os 103 trabalhos inéditos, sendo que alguns deles já fizeram parte do caderno de imagens do livro. As obras especialmente produzidas para o projeto foram doadas ao museu pelos artistas e integrarão a coleção da Pinacoteca de São Paulo, criando uma importante intervenção no que diz respeito à busca por maior representatividade.

“As obras separadas nesses núcleos permitem ver como histórias vividas em diferentes momentos da história recente do Brasil têm afinidades, mostram como as lutas e as condições de vida desses personagens negros persistem. É muito bonito como a organização da exposição deixa isso mais evidente”, destacou a curadora da Pinacoteca de São Paulo, Ana Maria Maia, à Agência Brasil.

Diferente da organização alfabética da publicação, a mostra está dividida em 6 núcleos temáticos: Rebeldes; Personagens atlânticos; Protagonistas negras; Artes e ofícios; Projetos de liberdade; e Religiosidades e ancestralidades. Esses núcleos misturam biografias de tempos históricos diversos, nas quais ressaltam aspectos em comum.

Há registros de quem liderou movimentos de resistência; negociou condições de emprego e de vida; das mulheres que tiveram de ser separadas de seus filhos; das que, com seu trabalho, conseguiram comprar as alforrias; dos mestres curandeiros, dos professores, advogados, artistas, entre outros.

Sinergia com a coleção

Além dos núcleos temáticos, “Enciclopédia negra” se integra a nova apresentação da coleção da Pinacoteca. O visitante poderá conferir 10 obras em cartaz na exposição “Pinacoteca: Acervo” que dialogam com as questões abordadas na mostra temporária. Isso ocorre em obras de nomes como Arthur Timóteo da Costa e Heitor dos Prazeres, fundamentais para o repertório da Enciclopédia.

Para as salas da mostra temporária também foram deslocadas três obras que já eram do acervo: “Estudos para imolação”, de Sidney Amaral; uma obra sem título do Mestre Didi; e “Objeto emblemático 4”, de Rubem Valentim. Há ainda o caso de “Baiana”, famosa pintura com autoria desconhecida do Museu Paulista da Universidade de São Paulo em comodato com a Pinacoteca.

Revisar narrativas consolidadas na história social e institucional, no que se refere a representatividade de gênero e raça, tem sido uma das principais missões da Pinacoteca atualmente. Na nova apresentação do acervo, por exemplo, o número de obras de artistas negros mais do que triplicou se comparado com a exposição anterior. Antes eram 7 e agora são 26. A chegada da Enciclopédia negra gera um grande aporte nesse processo, que passará de 26 para 129 obras.

 

Fonte: Hypeness

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