
Vitória, Garoa e Takai articulam diferentes materialidades e construções formais, revelando uma pesquisa que transforma a iluminação em atmosfera e narrativa. Em Vitória, desenvolvida em linho, a série se concentra no universo têxtil. A superfície maleável atua como filtro sensível, suavizando e difundindo a luminosidade e instaurando uma relação direta entre corpo, vestimenta e arquitetura.
Já em Garoa, o cristal soprado assume protagonismo. A natureza vítrea da matéria refrata e multiplica os feixes luminosos, convertendo transparência em fenômeno visual. Na série Takai, o bambu surge como elemento central. A estrutura vegetal organiza volumes, cria ritmo espacial e estabelece uma dimensão arquitetônica em diálogo com superfícies têxteis translúcidas. Em complemento às três coleções, o metal atua como suporte silencioso. Preciso e contido, equilibra as composições, garantindo rigor construtivo. Reunidos, esses campos materiais operam como agentes ativos na construção luminosa, modulando percepção e espacialidade.
Nesse conjunto, Cris Bertolucci articula design, arte e artesania. Suas peças ultrapassam a dimensão utilitária e se configuram como dispositivos espaciais e poéticos, criando paisagens mutáveis, atravessadas pelo tempo e pela presença de quem as habita.










