Carregando... aguarde
Quando o clique vale mais que o quadro: a arte ferida pela cultura do meme Redação Guia das Artes - Guia das Artes
Quando o clique vale mais que o quadro: a arte ferida pela cultura do meme Redação Guia das Artes
Quando o clique vale mais que o quadro: a arte ferida pela cultura do meme Redação Guia das Artes
inserido em 2025-07-07 20:19:44
Conteúdo

 

Quando o clique vale mais que o quadro: a arte ferida pela cultura do meme
Redação Guia das Artes

 

Na última semana, o século XVIII perdeu — ainda que temporariamente — mais uma batalha para o século XXI.

Na prestigiada Galeria Uffizi, em Florença, uma pintura de 1712 foi rasgada após um visitante tropeçar e cair sobre a obra enquanto tentava “fazer um meme” imitando a pose do retratado. O quadro, um retrato de Ferdinando de Medici assinado por Anton Domenico Gabbiani, resistiu por mais de 300 anos — até ser vencido por uma foto mal calculada.

As imagens das câmeras de segurança, divulgadas pela imprensa italiana, mostram o homem se inclinando para trás diante da tela — tentativa claramente performática — antes de perder o equilíbrio e colidir com a obra. O dano: um rasgo visível, quase simbólico, no tecido da própria relação contemporânea com o patrimônio cultural.

A direção do museu não minimizou o ocorrido. Em comunicado à imprensa, Simone Verde, diretora da Galeria Uffizi, declarou:

“O problema dos visitantes que vêm aos museus para fazer memes ou selfies é galopante.”

Imagem

A instituição agora considera impor novas regras de comportamento, estabelecendo limites mais rígidos para proteger o acervo do impulso exibicionista.

E o caso de Florença não foi isolado. Poucos dias antes, turistas em Verona destruíram uma cadeira de cristal do artista Nicola Bolla no Palazzo Maffei ao tentarem posar para uma foto com a obra.

“É o pior pesadelo de um museu”, lamentou Vanessa Carlon, diretora da instituição.

A busca por likes e viralizações vem transformando museus — antes templos de contemplação — em sets de gravação improvisados. Nesse novo palco, o gesto de se conectar com a arte é substituído pelo impulso de performar diante dela.

A pintura de Gabbiani está em restauração, e a exposição — com cerca de 150 obras do século XVIII, incluindo nomes como Goya, Tiepolo e Canaletto — deve ser reaberta ao público no dia 2 de julho. Mas a ferida simbólica permanece: quando o desejo de aparecer ultrapassa o desejo de compreender, quem sai machucada é a própria arte.

Talvez estejamos diante de uma nova urgência curatorial: proteger as obras não apenas do tempo, mas também do ego.


 

Compartilhe
Comente
Últimos eventos
Qua
27/Jul
Bruno Almeida Maia , em entrevista para o GuiaDasArtes - Bruno Almeida Maia , ministrante do curso Constelações Visionárias , a relação entre moda , arte e filosofia nos concedeu a ótima entrevista que se segue :
Saiba mais
Qui
09/Fev
Galeria Paiva Frade - 2023-02-09 - O modernismo do inicio de século XX
Saiba mais
Qui
05/Mar
Rafael Pereira: A Cabeça de Zumbi -
Saiba mais
Qui
12/Mar
Galeria de Arte IBEU recebe a 49ª edição da coletiva Novíssimos - No coração do Jardim Botânico, a Galeria de Arte IBEU reafirma seu papel como um dos principais termômetros da arte emergente no Rio de Janeiro. A partir do dia 12 de março, o espaço abre as portas para a 49ª edição da Novíssimos, a exposição coletiva mai
Saiba mais
Dom
15/Mar
Pequenas Grandes Histórias de um Dia Qualquer apresenta obras de Jorge Fonseca no Sesc Barra Mansa - Com abertura no dia 15 de março, exposição reúne trabalhos em pintura, bordado e madeira, além de ações formativas e recursos de acessibilidade
Saiba mais
Qua
25/Mar
Morfeu: Pesadelos e Despertares -
Saiba mais
Qua
25/Mar
Tramas -
Saiba mais
Sáb
28/Mar
Constelacoes 40 Anos do Paco Imperial Impregnacao e sensacao -
Saiba mais