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Cinzas recolhidas de queimadas de biomas brasileiros viram arte em São Paulo - Guia das Artes
Cinzas recolhidas de queimadas de biomas brasileiros viram arte em São Paulo
Cinzas recolhidas de queimadas de biomas brasileiros viram arte em São Paulo
O artista e ativista Mundano usou as cinzas do Pantanal, do Cerrado, da Amazônia e da Mata Atlântica para reviver uma das obras mais importantes do pintor modernista Candido Portinari.
inserido em 2021-10-19 17:36:01
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Um artista usa as cinzas produzidas pelas queimadas misturadas com tinta e cria um grande mural em São Paulo.

A obra é uma releitura de um quadro de Portinari e, também, um alerta sobre as queimadas que ameaçam nossos biomas.

O cinza das queimadas alcançou o centro de São Paulo — e se misturou à paisagem quase sem cor. É a cidade grande escancarando a destruição da mata num painel de mil metros quadrados.

Uma pintura e um protesto de Mundano, artista e ativista nascido e criado na cidade, na floresta de concreto.

"É um grande grito. A gente vive as mudanças climáticas, nosso tempo está acabando. A Amazônia já emite mais CO2 do que ela absorve, então o planeta está desequilibrado. E eu me junto a esse coro para gente fazer mudanças reais", disse o artista.

Mundano usou as cinzas do Pantanal, do Cerrado, da Amazônia e da Mata Atlântica para reviver uma das obras mais importantes do pintor modernista Candido Portinari, "O Lavrador de Café". Um toco de árvore, símbolo do desmatamento, liga os dois trabalhos.

"Ela também tem todo esse cenário que possibilita uma releitura, 87 anos depois, brincar com os elementos", completa Mundano.

Em vez do lavrador, um brigadista. No lugar do trem, caminhões levando toras de madeira. As nuvens do céu viraram fumaça, que mandam um sinal, "SOS", "socorro". Na ampulheta, a urgência do tempo. O filho de Portinari se emocionou quando viu o painel pela primeira vez.

"Eu achei extraordinário. Essa questão do meio ambiente tomou um relevo que não tinha tanto assim antes. Então, eu acho que esse trabalho do Mundano é essencial, é oportuno, é atualíssimo", disse João Candido Portinari Filho.

Foram pouco mais de duas semanas para o trabalho ficar pronto. Antes, outras três viajando dez mil quilômetros para recolher as sobras das queimadas.

Em um saco, a gente tem carvão, que é o pigmento mais escuro. Em outra caixa, tem cinzas da Amazônia. Mas o artista conseguiu uma infinidade de outras nuances misturando o pó com água, tinta, verniz, e, assim, chegou a uma paleta de cinzas. E batizou cada tom. Tem, por exemplo, "Pantanal em risco", "Cerrado ganância", e a "Mata Atlântica devastada".

Para alguém que fez nome na arte com o colorido dos grafites, tem sido um desafio trabalhar com uma cor só.

"Eu acho que é isso. Tem que sair da zona de conforto, fazer algo novo, desafiador. Porque sem floresta não tem água, e se não tem água, não tem vida. Então fica aí o agradecimento a todos os brigadistas", destacou o artista.

E a todos aqueles que querem um mundo menos cinza, e com menos cinzas.

 

Fonte: G1

 
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