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Por dentro da ‘casa de diversões’ surrealista criada por Salvador Dali em 1939 - Guia das Artes
Por dentro da ‘casa de diversões’ surrealista criada por Salvador Dali em 1939
Por dentro da ‘casa de diversões’ surrealista criada por Salvador Dali em 1939
inserido em 2022-03-17 19:14:10
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Quando foi convidado para criar um pavilhão dentro da Exposição Mundial de 1939, o artista catalão Salvador Dali não mediu esforços nem limites para ocupar um espaço tão grande com a livre explosão de sua mais impactante imaginação.

A feira aconteceu no verão em Flushing Meadow, no bairro do Queens, em Nova York, e o pavilhão de Dali, batizado de “Dream of Venus”, ou Sonho da Vênus, trouxe a fina flor do repertório surrealista – saltando das telas para as três dimensões da vida real – e, como não poderia deixar de ser, causou polêmica, debate, censura e protesto capitaneado pelo artista contra os organizadores da exposição.

“Sonho da Vênus”, o pavilhão de Dali na Exposição, em 1939

Dali e sua esposa, Gala, em peça na entrada do pavilhão

Dali e sua esposa, Gala, em peça na entrada do pavilhão

O espaço foi transformado em uma espécie de “Casa de Diversões”, como nos parques, mas no lugar de espelhos tortos, distorções óticas, ondulações nos pisos, paredes falsas e escorregas, o pavilhão de Dali trazia esculturas, instalações e performances cheias de simbolismos e significados, calcados na expressiva e mesmo violenta força da estética surrealista. O próprio prédio já era inteiramente adornado com braços, galhos e corpos “nascendo” das paredes e janelas, e para entrar no local era necessário passar pelo meio de um par de pernas femininas, que serviam como a moldura da porta, com a saia levantada acima dos joelhos.

Detalhe da porta, com as pernas e a Vênus de Botticelli

Detalhe da porta, com as pernas e a Vênus de Botticelli

Um taxi no interior da instalação

Um taxi no interior da instalação surrealista

Camas, gaiolas, tigres e lagostas dentro do

Camas, gaiolas, tigres e lagostas dentro do “sonho”

Dentro do “Sonho da Vênus”, a típica sobreposição de imagens e símbolos que costuma caracterizar o repertório surrealista – com carros cobertos por plantas, camas e espelhos adornados por lagostas, flores e gaiolas, pianos nos quais as teclas eram pintadas sobre corpos, e mais – escandalizava os curiosos, não somente pela construção estética, mas pela grande quantidade de mulheres nuas que atuavam na instalação em performance. Deitadas sobre as camas e nadando dentro de grandes tanques com água, as atrizes, em sua maioria com os seios expostos, tornavam o pavilhão ainda mais em motivo de escândalo – e sucesso, ocorrido no mesmo ano em que se iniciaria a Segunda Guerra Mundial.

“Mulheres líquidas”: algumas modelos permaneciam em tanques com água durante as visitas

A nudez parcial das modelos causava escândalo em 1939

A nudez parcial das modelos causava escândalo em 1939

Acima da entrada do prédio, uma reconstrução em larga escala da Vênus, de Botticelli, recebia os visitantes, mas a intensão original do artista era substituir a cabeça da icônica imagem pela cabeça de um peixe – e essa foi uma das muitas ideias rejeitadas pela organização da Exposição Mundial. A acusação de censura levantada pelo artista contra o evento levou Dali a se posicionar, mantendo a exuberância e a grandiosidade que sempre lhe foram peculiares: após mandar imprimir milhares de panfletos com um manifesto impresso, o artista contratou um avião para sobrevoar as instalações da Exposição e lançar os papeis dos céus.

A Vênus sonhando: o local tinha camas com modelos dormindo

A Vênus sonhando: o local tinha camas com modelos dormindo

A

A “mulher-piano”, cujo corpo era pintado como as teclas do instrumento

Intitulado “Declaração de independência da imaginação e pelos direitos do ser humano sobre sua própria loucura”, o manifesto de Dali trazia a imagem da Vênus de Botticelli com a cabeça de peixe na capa, e defendia a liberdade afirmando, entre muitas outras passagens, que “somente a violência e a duração de seus sonhos enrijecidos podem resistir à horrenda e mecânica civilização que é sua inimiga, e que também é inimiga do ‘princípio de prazer’ de toda a humanidade”, como escreveu Salvador Dali, defendendo que todos têm direito a “amar uma mulher com uma cabeça de peixe”. Por anos, o Pavilhão de 1939 do artista permaneceu sem maiores registros, quase como se fosse uma lenda urbana: fotos e mesmo vídeos recentes, porém, comprovaram a veracidade – e a radicalidade – proposta pelo artista para a feira internacional.

A capa do panfleto lançado por Dali de um avião sobre a Feira

A capa do panfleto lançado por Dali de um avião sobre a Feira, em protesto

 

 

Fonte: Hypeness

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