O Brasil adoeceu. E o trabalho tem tudo a ver com isso. Da imagem de país da alegria ao recorde mundial em afastamentos por saúde mental. A NR-1 trouxe uma obrigação. Esses números aparecem no absenteísmo, no presenteísmo, na rotatividade e no resultado financeiro da empresa. A NR-1 atualizada exige que os riscos psicossociais sejam mapeados. A pergunta é: você sabe por onde começar?
O Brasil é mundialmente conhecido como o país do Carnaval, do "jeitinho" resiliente e da hospitalidade calorosa. Mas, nos bastidores das organizações, o cenário é drasticamente diferente. Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e estudos do Instituto de Psiquiatria da USP (IPQ-USP) revelam uma realidade desconfortável: somos o país mais ansioso do mundo e o mais depressivo da América Latina. O que aconteceu com o Brasil? Como o "país da alegria" se transformou no "país dos afastamentos"?
O Mito do Homem Cordial e a Armadilha da Performance
Para entender o colapso atual, precisamos olhar para a nossa raiz. O historiador Sérgio Buarque de Holanda definiu o brasileiro como o "homem cordial". Ao contrário do que muitos pensam, a cordialidade não é apenas gentileza; vem de cor (coração). Somos movidos pelo afeto e pela emoção. Nas empresas, isso cria uma cultura onde a fronteira entre o pessoal e o profissional é tênue.
Historicamente, usamos a alegria como ferramenta de sobrevivência. No entanto, na última década, essa alegria foi sequestrada por uma "tirania da positividade". O trabalhador brasileiro hoje sente que não tem permissão para estar mal. Ele performa uma felicidade de filtro de Instagram enquanto lida com metas agressivas e hiperconectividade. O resultado? Uma dissociação cognitiva que drena a energia vital antes mesmo da jornada terminar.
Como consultora estratégica, meu diálogo com gestores é direto: saúde mental não se resolve com "ginástica laboral" ou "frutas na copa". Essas são medidas paliativas para problemas estruturais. A verdadeira gestão de saúde mental passa pela identificação de fatores de risco como a gestão por estresse, o assédio moral e a falta de autonomia.
Um afastamento mental custa, em média, três vezes o salário do colaborador para a empresa. É um prejuízo invisível que sangra o lucro e destrói o clima organizacional. Empresas saudáveis são, invariavelmente, empresas mais lucrativas e perenes.
"A solução não é fazer o brasileiro voltar a sorrir à força. É conscientizar da autorresponsabilidade pelo desenvolvimento dele e da liderança."
— Eliana Sorrini











