Maria Nepomuceno leva tradições ancestrais e técnicas artesanais complexas a um envolvimento inteiramente contemporâneo com o espaço e a estrutura, a forma e o conceito. Utilizando métodos de costura com cordas, contas e trançado de palha, bem como técnicas desenvolvidas por ela própria, a artista vem, desde o início dos anos 2000, explorando as permutações potencialmente infinitas em esculturas e instalações pulsantes que incorporam formas lúdicas e viscerais em cerâmica, madeira, resina e objetos encontrados.
As obras de Nepomuceno são cromáticas, culturais e metaforicamente ricas, evocando animais, plantas, o corpo humano e paisagens que vão do microscópico ao macroscópico. O fato de as esculturas apresentarem uma aparência antropomórfica e orgânica é essencial para a leitura da obra.
A espiral, central ao processo de Nepomuceno, relaciona-se às espirais que ocorrem naturalmente em todo o universo, dando forma tanto a galáxias inteiras quanto ao projeto fundamental da existência, o DNA. Os resultados pretendem condensar o tempo prolongado de sua feitura, ao mesmo tempo em que convidam o espectador a fazer uma pausa, aproximar-se e envolver-se com complexos ciclos de energia e criação.