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Dedicada às histórias de pessoas negras e afrodescendentes com mais de 65 anos vinculadas à Espanha, a exposição itinerante “Afromayores” retorna ao Brasil e será inaugurada no dia 18 de setembro, às 18h, na nova Galeria do Centro Cultural Pretos Novos, na Gamboa. O projeto audiovisual, fotográfico e de memória foi criado pela jornalista e escritora Lucía Mbomío e pelo fotógrafo e documentarista Laurent Leger Adame e reúne retratos, entrevistas e arquivos pessoais para construir uma memória plural da presença negra na sociedade espanhola.
Para essa itinerância, o Instituto Cervantes do Rio está trazendo ao Brasil o músico brasileiro Batata, especialmente para a inauguração. Residente há décadas na Espanha, ele é o único carioca/brasileiro retratado na exposição.
Na ocasião, haverá um sarau de música e um coquetel de gastronomia afro-brasileira.
O CEDINE-PIR e a Embaixada da Espanha no Brasil também apoiam a mostra.
Sobre o projeto “Afromayores”
Afromayores parte de uma constatação: durante décadas, muitas trajetórias negras permaneceram fora das narrativas dominantes sobre a memória contemporânea espanhola. Frequentemente associada a uma presença recente ou transitória, a população afrodescendente na Espanha possui, no entanto, histórias familiares, profissionais, afetivas e comunitárias construídas ao longo de décadas.
Em vez de falar sobre essas pessoas, Afromayores cria um espaço para que sejam elas próprias a contar as suas próprias histórias.
As entrevistas abordam infância, migração, trabalho, relações familiares, racismo, pertencimento, envelhecimento, identidade e transmissão entre gerações. Os relatos são acompanhados por retratos contemporâneos realizados por Laurent Leger Adame e, quando disponíveis, por imagens provenientes dos arquivos pessoais dos participantes.
A proposta fotográfica busca representar a velhice negra a partir da dignidade, da presença e da afrocelebração, afastando-se de imagens estereotipadas de vulnerabilidade. Ao mesmo tempo, os arquivos familiares permitem conectar as experiências individuais a processos históricos mais amplos e transformar lembranças privadas em patrimônio de memória coletiva.
O lema do projeto, “Somos porque foram”, resume a importância dessa transmissão intergeracional: compreender o presente exige reconhecer as pessoas e experiências que o tornaram possível.
Afromayores foi concebido como um projeto em permanente construção. Não existe uma seleção de “vidas extraordinárias”: cada testemunho é entendido como parte de uma história coletiva que merece ser preservada. O trabalho continua incorporando novas pessoas, territórios e memórias.
Ao chegar ao Brasil, a exposição estabelece um diálogo particularmente significativo com um território profundamente marcado pela história da diáspora africana. A circulação do projeto permite colocar em relação experiências negras construídas em contextos distintos e refletir sobre memória, pertencimento, deslocamento, envelhecimento e legado.
Sobre os criadores
Lucía Mbomío é jornalista atuante na televisão, escritora, diretora e roteirista de documentários. A sua trajetória profissional e literária tem abordado questões relacionadas à identidade, à memória, às diásporas africanas e às experiências afrodescendentes na Espanha.
Laurent Leger-Adame é fotógrafo e documentarista especializado em retrato e narrativa visual. Seu trabalho explora identidade, memória, dignidade e representação, combinando prática artística, documental e audiovisual.















