
18:00
12:00
17:00
17:00
17:00
17:00
18:00
Exposição em Santiago aproxima Gabriela Mistral e Candido Portinari em diálogo entre poesia e pintura
A trajetória e a produção artística de dois dos grandes nomes da cultura latino-americana estarão reunidas em uma nova exposição no Chile. O Museo Artequin, em Santiago, apresenta, a partir de 13 de outubro, “Gabriela Mistral e Candido Portinari, poesia e cor”, mostra realizada em parceria com a Embaixada do Brasil no Chile, a Fundação Portinari e a CMPC. A exposição ficará aberta ao público até 31 de janeiro de 2027.
A proposta é aproximar a poesia da chilena Gabriela Mistral, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura, da obra do brasileiro Candido Portinari, um dos principais nomes do modernismo brasileiro. A exposição explora os vínculos artísticos e afetivos entre os dois criadores e seus olhares sobre temas como infância, trabalho, cotidiano, natureza e realidade social latino-americana.
O encontro entre Mistral e Portinari ganhou força durante o período em que a escritora viveu no Brasil. Entre 1940 e 1945, ela atuou como cônsul do Chile em Petrópolis e no Rio de Janeiro e se aproximou da vanguarda artística brasileira, da qual Portinari já era uma das figuras de maior destaque.
Pintura e poesia em diálogo
A exposição reúne mais de 35 reproduções de obras de Candido Portinari, incluindo trabalhos relacionados às suas memórias de infância, às paisagens brasileiras e às manifestações da cultura popular do país.
As pinturas são apresentadas em diálogo com poemas e textos de Gabriela Mistral, criando conexões entre diferentes linguagens artísticas. Um dos exemplos é a aproximação entre “Ronda Infantil” (1932), de Portinari, e o poema “Todo es Ronda” (1924), publicado no livro Ternura, de Mistral. As duas obras têm a infância como elemento central e propõem uma reflexão sobre a formação de memórias.
Experiência interativa
Com uma proposta alinhada ao caráter educativo do Museo Artequin, a exposição contará também com recursos interativos e multimídia.
Um dos destaques será um espaço audiovisual imersivo de grande escala, apresentado com o apoio da CMPC, dedicado aos monumentais murais “Guerra” e “Paz”, pintados por Portinari entre 1952 e 1956. O díptico foi doado pelo governo brasileiro à sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
A mostra também terá um espaço dedicado à trajetória de Gabriela Mistral como educadora, com acesso a escritos, diários e publicações da autora. Projeções, livros, materiais audiovisuais e instalações interativas completam o percurso.
O setor educativo do museu preparou ainda visitas mediadas e uma programação especial de atividades artísticas voltadas a crianças, jovens e famílias.
Ponte cultural entre Brasil e Chile
Para João Candido Portinari, diretor do Projeto Portinari e único filho do pintor, levar a obra de Candido Portinari ao Chile, através do Artequin, é um reencontro emocionante com a história e a alma latino-americana — materializando, enfim, o antigo anseio de intercâmbio artístico que, já na década de 1940 e em 1959, mobilizou associações de classe, universidades e o corpo diplomático brasileiro em prol de exposições no país.
“Como o próprio Portinari registrou ao referir-se com afeto à grande poeta chilena Gabriela Mistral — que viveu em Petrópolis e se tornou a primeira figura das letras americanas a ganhar o Prêmio Nobel, declarando que a vitória pertencia a toda a América, e a quem ele chamava de "amiga" —, o pensamento e a sensibilidade dos povos irmãos sempre caminharam juntos. Essa sintonia continental materializou-se na adesão de intelectuais de todo o continente aos ideais de paz e defesa da cultura, em laços profundos com o poeta Pablo Neruda — que intermediou o convite da Universidade do Chile em 1947 e, mais tarde em 1960, o convocou a ilustrar o livro solidário Cataclismo em socorro aos desabrigados chilenos —, nas vivências com Thiago de Mello e nas articulações fraternas que uniam criadores de diferentes nações
Essa ponte cultural ganha um significado ainda mais belo e sinfônico quando lembramos que o icônico poema "Un Són para Portinari", do cubano Nicolás Guillén, foi musicado pelo célebre grupo chileno Inti-Illimani e eternizado na voz da inesquecível Mercedes Sosa.
Apresentar Portinari ao público chileno não é apenas exibir o modernismo brasileiro, mas celebrar uma fraternidade artística continental — onde pintura, poesia e música se fundem para cantar a dignidade, as raízes e a identidade comum da América Latina” – conclui.
Sobre o Projeto Portinari:
Fundado em 1979, dentro da área científica da PUC-Rio, o Projeto Portinari tem como objetivo, além do resgate documental abrangente e rigoroso da vida e obra de Candido Portinari, democratizar o acesso ao seu legado artístico, ético e humanista. A ideia é reforçar este legado na promoção de valores como a não violência, a justiça social, a fraternidade entre os povos e o respeito à dignidade da vida. O projeto tem, ainda, uma ampla e importante contribuição sociocultural, buscando e oferecendo uma melhor compreensão do processo histórico-cultural brasileiro.
Já foram catalogados mais de 5.300 pinturas, desenhos e gravuras; mais de 25 mil documentos sobre sua obra e vida; mais de 6 mil cartas, além de fotografias, filmes, recortes; mais de 10 mil publicações; mais de 70 depoimentos — que incluem nomes como Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Oscar Niemeyer, Luiz Carlos Prestes, Afonso Arinos, etc —, totalizando 130 horas gravadas de artistas, intelectuais e personalidades de seu tempo.
Esses conteúdos são oferecido gratuitamente no site: http://www.portinari.org.br
Também realizou pesquisa científica, em colaboração com colegas de outros departamentos da PUC e de outras universidades, de autenticidade das obras (Projeto Pincelada), além da publicação do Catálogo Raisonné “Candido Portinari - Obra Completa”, primeira publicação dessa natureza na América Latina, e da Cronobiografia Ilustrada de Portinari, que celebrou o Centenário de Nascimento do artista, em 2003.
O Projeto Portinari apresentou ao público várias exposições do artista, em especial aquelas que trouxeram os famosos painéis “Guerra e Paz”, para o Brasil, e os levaram para Paris em 2014.
Instagram: @artequin
Facebook: @MuseoArtequin
Informações para a imprensa:
FGuaraná Comunicação Estratégica
Andrea Ferreira | 21 97239-7025 | andrea@fguarana.com.br









