Nos dias 21 e 22 de agosto, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, promove um conjunto de ativações gratuitas em torno da exposição Território de passagem, da artista multimídia Ruchita. A programação – bate-papo sobre videoarte no Brasil e oficina de experimentações em videoarte – acontece na reta final da mostra, em cartaz no Espaço Maureen Bisilliat até 24 de agosto.
No dia 21 de agosto, sexta-feira, às 19h, o auditório superior do MIS recebe o bate-papo Videoarte no Brasil: história, linguagem e práticas, com a participação da artista, do curador e da pesquisadora Márcia Beatriz Granero, referência na área e idealizadora do programa VideoArtePapo. O encontro presencial e gratuito propõe uma conversa sobre a importância da videoarte como linguagem estética na arte contemporânea, a partir da exibição de trechos de obras históricas do acervo do MIS-SP e de outros materiais de referência. A programação inclui falas do curador e da artista, uma palestra de Granero sobre a produção brasileira entre as décadas de 1970 e 2000 – com destaque para a dimensão de gênero na história da videoarte – e uma rodada de 30 minutos de perguntas abertas ao público, que deve chegar ao local do evento com uma hora de antecedência para retirada de ingresso, na bilheteria do MIS.
Já no sábado, 22 de agosto, das 10h às 18h, a Sala Multiuso do MIS recebe a oficina Entre o corpo e a imagem: experimentações em videoarte, ministrada por Brunno Almeida Maia com participação de Ruchita. Voltada a artistas em formação, estudantes, pesquisadores iniciantes e público interessado em práticas artísticas contemporâneas, a atividade propõe uma imersão introdutória e experimental nos campos da videoarte e da performance, tendo o corpo como eixo central de investigação. A oficina oferece 20 vagas, com inscrição prévia pelo site do MIS.
Pela manhã do dia 22, o curador conduz uma aula expositiva sobre a relação entre imagem e corpo na história da arte e da filosofia, com base em referências como O corpo que não aguenta mais, de David Lapoujade, e O corpo utópico, de Michel Foucault. Na sequência, Ruchita participa de uma conversa aberta com o público sobre seu processo criativo. No período da tarde, os participantes são convidados a desenvolver experimentações práticas em videoarte utilizando dispositivos acessíveis, como celulares, a partir de um disparador comum sobre memórias pessoais, corpo e tempo. As experimentações podem ocorrer nos espaços internos do museu e em seus arredores, ampliando a relação entre corpo, imagem e cidade.
“A oficina não tem como objetivo oferecer uma formação técnica sobre como ‘fazer videoarte’, mas sim criar um espaço de reflexão, experimentação e elaboração de proposições autorais, a partir de repertórios históricos, conceituais e sensíveis ligados à imagem, ao corpo e à performance”, explica Almeida Maia. “Nosso desejo é que os participantes possam vivenciar a videoarte como um campo de investigação poética, em que o gesto, a presença e o tempo se tornam matéria para a criação.”
Sobre a exposição Território de passagem
Território de passagem é a primeira exposição individual de Ruchita em São Paulo, com oito obras produzidas entre 2017 e 2025 que investigam as relações entre corpo, tempo e memória por meio de videoartes e séries fotográficas. Com curadoria de Brunno Almeida Maia e direção de arte e expografia de Leandro Leão, a mostra se organiza em dois eixos curatoriais – O Corpo Inacabado e O Corpo é Tempo – e estabelece um diálogo direto com o histórico acervo de videoarte do MIS-SP, um dos mais relevantes da América Latina, que reúne mais de 5 mil títulos desde os anos 1970.
Entre os destaques está a série inédita Alternar-se (2025/2026), na qual Ruchita aborda sua experiência com diabetes tipo 1 utilizando mel e sangue cenográfico como metáforas sensoriais. Obras como Limiares, Compasso, Abismo e as 23 fotografias da série Des-continuum exploram os altos e baixos da glicemia e da vida, em um ensaio visual e sonoro sobre vulnerabilidade e persistência. Completa o primeiro eixo a obra Um estado claro de ambiguidade (2017-2018), que convida o espectador a refletir sobre retrato, autorretrato e alteridade por meio de espelhos.
No segundo eixo, a série Face à impermanência reúne Esse movimento perpétuo (2018), videoinstalação projetada sobre areia real filmada na praia de Naoshima, no Japão, e Estar sem estar (2018), registro em câmera lenta da artista imóvel no cruzamento de Shibuya, em Tóquio, em contraste com o fluxo frenético da multidão – um paradoxo entre contemplação zen e velocidade urbana que também ecoa no cotidiano da metrópole paulistana.
“A performance sempre foi a base do meu trabalho. Meu processo criativo parte de experiências internas, de questões que eu tento externalizar por meio da imagem”, afirma Ruchita. “Tudo surge dessa investigação pessoal, dessa busca existencial que me acompanha desde muito nova. O corpo acaba se tornando um lugar de percepção, experimentação e transformação. É a partir dele que tento criar conexões com o outro”, conclui a artista que também acaba de lançar o livro Todo momento de achar é um perder-se a si próprio, que compila a produção da artista entre 2017 e 2025, com exemplares disponíveis na loja do MIS-SP.
Sobre Ruchita
Ruchita é uma artista multimídia brasileira, nascida em Curitiba em 1979, cuja produção transita entre fotografia, instalação, vídeo e performance. Sua pesquisa artística, especialmente nos últimos anos, se debruça sobre questões existenciais de maneira profundamente pessoal e metafísica, explorando o universo imaterial das sensações, impressões e sentimentos ligados à presença no tempo e no espaço. Atualmente vive e trabalha em Florianópolis, tendo ao longo de sua trajetória morado, estudado e atuado em cidades como Santiago, Bogotá, San Diego, Miami e Rio de Janeiro. É graduada em Comunicação Audiovisual pelo International Fine Arts College, em Miami. Sua produção recente inclui exposições individuais como Estou/Sou, apresentada em 2024 no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro, e Face à Impermanência, realizada em 2023 no Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina. Ao longo de sua carreira, realizou diversas exposições individuais, com destaque para uma série consistente de mostras em Santa Catarina entre 2017 e 2025, além de apresentações institucionais em diferentes cidades do Brasil. Paralelamente, participou de exposições coletivas no Brasil e no exterior, com presença em instituições e eventos como a PaviArt, em Pavia, o Con-Temporary Art Observatorium, em Lavagna, além de feiras e mostras internacionais em Madri e Lisboa. Seu trabalho também circula amplamente em festivais internacionais de cinema e videoarte, tendo participado de mais de vinte eventos ao redor do mundo e recebido premiações em diferentes contextos, com destaque para seleções e reconhecimentos em cidades como Paris, Milão, Londres, Tóquio e Nova York.
Sobre Marcia Beatriz Granero
Marcia Beatriz Granero é artista visual e pesquisadora, formada pela Faculdade Belas Artes de São Paulo. A videoarte é a sua principal linguagem autoral, com participação em inúmeras mostras e festivais internacionais. Nesse percurso aprofundou a sua pesquisa, reconhecendo a potência desta produção, especialmente nas práticas realizadas por mulheres que desbravaram a linguagem no Brasil nos anos 1970. É idealizadora do programa VideoArtePapo, conduzido entre 2020 e 2023 no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, onde desenvolveu um arquivo online de pesquisa composto por conversas com 46 videoartistas e especialistas, consolidando um panorama fundamental para o estudo da linguagem. Realizou a curadoria das exposições NÚCLEO de Videoarte (Janaína Torres Galeria, São Paulo, 2021), Vídeo, substantivo feminino (Pinacoteca de São Bernardo do Campo, 2022), Videoarte – Acervo MIS SP (Museu da Imagem e do Som de São Paulo, 2022) e Mostra Basileña: Pioneiras da Videoarte (Festival Proyector, Madrid, Espanha, 2024). Orienta cursos e oficinas, entre os quais destacam-se: Videoarte Delas: criação, trajetória e pesquisa (Centro de Pesquisa e Formação SESC CPF, 2025) e Audiovisual nas Artes Visuais: Processos da Criação (Sesc Jundiaí, 2017). Desenvolve também projetos como: Videoarte Clube (Vila Mandaçaia, São Paulo, 2022–23), voltado à exibição de obras de videoarte seguida de debate; e as lives Vamos falar de videoarte? (Sesc Osasco, 2021).
Sobre Brunno Almeida Maia
Brunno Almeida Maia é doutorando em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), onde desenvolve pesquisa sobre as relações entre moda e arquitetura, e mestre em Filosofia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). É autor dos livros Tempos de exceção: ensaios sobre o contemporâneo (2025) e O Teatro de Brunno Almeida Maia (2014), além de contribuir com capítulos em obras coletivas. Publicou ensaios em revistas acadêmicas e culturais, como a Revista do Instituto de Estudos Brasileiros (RIEB USP), Revista ZUM (IMS), Revista do CPF-Sesc e Cadernos da Casa Museu Ema Klabin. Atua como docente convidado na Pós-Graduação em Direção Criativa e Styling de Moda do Senac Lapa Faustolo e no MBA Negócios e Estética da Moda da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), além de lecionar em diversas instituições culturais e acadêmicas, entre elas o Istituto Europeo di Design (IED), a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), o Centro Universitário Belas Artes, o Museu de Arte de São Paulo (MASP), o Museu da Imagem e do Som (MIS), o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), a Fundação Stickel, as Oficinas Culturais, o Laboratório Carioca de Moda e unidades da rede Sesc SP. Destacam-se seus trabalhos de curadoria em exposições e ciclos realizados na Casa Museu Eva Klabin (RJ), na Casa Museu Ema Klabin, no Sesc Avenida Paulista e no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc-SP, bem como sua participação no Grupo de Práticas e Estudos em Curadoria (GPEC/FAU-USP). Foi residente do Núcleo de Estudos Contemporâneos do Museu da Imagem e do Som (NECMIS) e organizador da jornada em homenagem ao centenário de Gilda de Mello e Souza. Atualmente, atua na curadoria e pesquisa das exposições Beleza habitada: Eva Klabin, moda e memórias, na Casa Museu Eva Klabin (RJ), e Território de passagem – Ruchita, no Museu da Imagem e do Som (MIS-SP).
SERVIÇO
Exposição Território de passagem – Ruchita
Local: Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS) – Espaço Maureen Bisilliat
Endereço: Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo
Período: de 11 de julho a 24 de agosto de 2026
Visitação gratuita: terças a sextas, 10h às 19h; sábados, 10h às 20h; domingos e feriados, 10h às 18h.
Ativações gratuitas (sujeitas a lotação):
- Bate-papo Videoarte no Brasil: história, linguagem e práticas – 21 de agosto (sexta), 19h, auditório superior do MIS
- Oficina Entre o corpo e a imagem: experimentações em videoarte – 22 de agosto (sábado), 10h às 18h, Sala Multiuso do MIS. Inscrições prévias pelo site do MIS - inscrições em https://mis-sp.org.br/evento/programacao-paralela-da-exposicao-territorio-de-passagem/













