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Exposição no Palácio do Itamaraty resgata peças de Sergio Rodrigues e outros artistas - Guia das Artes
Exposição no Palácio do Itamaraty resgata peças de Sergio Rodrigues e outros artistas
Exposição no Palácio do Itamaraty resgata peças de Sergio Rodrigues e outros artistas
'Desenhando para um Palácio' mostra como o mobiliário atua como ferramenta de diplomacia
inserido em 2018-04-16 17:19:17
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BRASÍLIA - A maior exposição de peças originais de três feras do design brasileiro do século 20 - Sergio Rodrigues (1927-2014), Joaquim Tenreiro (1906-1992) e Bernardo Figueiredo (1934-2012) - não está em nenhum museu ou galeria do País. Está no Palácio do Itamaraty, em Brasília, onde esses objetos estão em uso e são testemunhas de recepções a chefes de Estado estrangeiros e negociações internacionais. E, desde a última quarta-feira, 11, pode ser vista pelo público na exposição Desenhando para um Palácio

A mostra não se resume a esses três artistas. É um panorama sobre como o mobiliário palaciano atua como uma ferramenta da diplomacia, ao refletir a imagem que o País queria projetar no exterior em cada época. As peças mais antigas datam do século 18.

A garimpagem das peças da exposição exigiu um trabalho de pesquisa que levou quatro anos, coordenado pelo diplomata Heitor Granafei. Originalmente, ele pretendia fazer apenas um registro para o site do ministério sobre a morte de Figueiredo, no qual falaria sobre sua contribuição para o Itamaraty.

Mas, pesquisando documentos do final dos anos 1960, ele descobriu que o designer brasileiro de maior projeção internacional havia recebido um de três lotes de encomendas de móveis para o novo palácio. Rodrigues foi incumbido de fazer modelos originais de móveis de escritório.

Restava saber onde estavam. A investigação foi facilitada pelo fato de Marcel Gautherot (1910-1996) haver fotografado as salas do Itamaraty quando estavam mobiliadas, mas ainda não ocupadas. As imagens fazem parte do acervo do Instituto Moreira Salles. A pesquisa se estendeu às famílias e aos escritórios dos designers.

No total, foram identificados 40 modelos originais e 133 exemplares de Sergio Rodrigues espalhados pelos gabinetes do Itamaraty. De Bernardo Figueiredo, incumbido de criar os móveis para a o salão de recepções e a sala de almoço, foram encontrados 16 modelos originais e 81 exemplares. Trata-se do maior acervo do designer no País. De Tenreiro, remanesceu apenas uma mesa.

Para montar a exposição, Granafei promoveu uma verdadeira ‘limpa’ no gabinete do ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes. Com base em fotografias da época, ele montou uma réplica da sala tal como idealizada por Rodrigues, que faz parte da mostra. Só nela, são 25 peças do designer.

“Desde que eu tenha uma mesa para trabalhar, está ótimo”, reagiu o ministro quando lhe pediram autorização para retirar o mobiliário. Questionado pelo Estado sobre a iniciativa de Granafei, ele brincou: “Não só confiscou, temporariamente, minha mesa de trabalho, como fez o mesmo no gabinete do Blairo Maggi”.

A mesa de trabalho de Blairo Maggi também foi trazida para a exposição. Segundo o diplomata, já se sabia que antes da encomenda do Itamaraty Sergio Rodrigues havia criado móveis de escritório para a nova capital federal. De novo, só não se sabia onde estavam. 

A de Maggi foi reconhecida pela televisão, numa entrevista que ele concedeu à época da operação Carne Fraca. “Fiquei feliz em saber que é uma mesa tão antiga”, disse o ministro ao Estado. Ele pediu que seja colocada na mesa uma placa identificando seu valor histórico e artístico.

A exposição volta no tempo até a reforma do ministério realizada em 1906, sob o comando do Barão do Rio Branco, ainda na sede no Rio de Janeiro. Há, daquela época, peças encomendadas na França, durante a onda de prosperidade da Belle Époque. Era um período em que o Brasil, enriquecido pelo café e pela borracha, buscava o reconhecimento como um país cosmopolita.

A pesquisa identificou também uma grande quantidade de peças dos anos 1920, quando houve outra reforma no Itamaraty. Com o mundo das artes sacudido pelo modernismo da Semana de 22, os móveis refletem a busca da brasilidade. A influência é do barroco brasileiro, considerado a primeira manifestação de arte genuinamente nacional. A exposição põe lado a lado uma cadeira do século 18 e um sofá reproduzindo as mesmas linhas, feito por volta de 1920.

A mostra traz ainda peças de decoração como uma tapeçaria de Madeleine Colaço (1907-2001) que reproduz o primeiro mapa-múndi onde aparece o Brasil. Ela mostra Jerusalém como o centro do mundo e a América do Sul aparece no alto. Essa peça também foi retirada do gabinete do ministro.

Foram encontrados, também, desenhos do arquiteto Milton Ramos (1929-2008). Ele foi o responsável pela construção da escada helicoidal idealizada por Niemeyer, uma das principais atrações do palácio. Por ela, passam todos os chefes de Estado estrangeiros que visitam o Brasil.

 

DESENHANDO PARA UM PALÁCIO

Palácio Itamaraty. Esplanada dos Ministérios, bloco H. Brasília.
Dias úteis: 9h, 10h, 11h, 14h, 15h, 16h e 17h. Fim de semana: 9h, 11h, 14h, 15h e 17h.
Reservas pelo e-mail visita@itamaraty.gov.br ou tel. (61) 2030-8051. Até 27/5

 

Mais informações clique aqui.

 

Fonte: estadão

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