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O lugar incomum de Guignard - Guia das Artes
O lugar incomum de Guignard
O lugar incomum de Guignard
inserido em 2018-06-22 17:21:06
Fundador da Galeria de Arte Paiva Frade em São Lourenço - MG
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Em 1943 na Escola Nacional de Belas Artes, sob o titulo de Grupo Guignard, o próprio Guignard orienta, Iberê Camargo e Waldemar Cordeiro.

Em 1944, já em Belo Horizonte, em seu curso livre na, hoje chamada, Escola Guignard, freqüentam suas aulas e absorvem suas idéias livres e progressistas, artistas como Amilcar de Castro, Lygia Clark e Farnese de Andrade.

Ou seja, importantíssimos movimentos da segunda metade do século XX, tem manifestos produzidos e assinados por grupos, dos quais compunham alunos de Guignard que, por seu temperamento e vastíssimo conhecimento artístico, de formação européia, estimulava-os à criação, à intuição e expressão. Gerando, além da inquietude, a possibilidade de criação de novas linguagens.

Certamente estamos diante de uma obra de cunho pessoal de Guignard. Uma obra única de sua coleção, marcada como maneira de propor, provocar e transitar à possibilidade do novo. Para melhor compreender essa obra, além de posicioná-la na época, faz-se necessário sua primaria desconstrução afim de perceber sua concepção construtiva. A obra trás elementos imperativos do concretismo, traços matemáticos e retos. O preenchimento dos espaços, se dá com cores que nos transportam a tons que visualizamos nas obras de outros artistas como: azuis em Lygia Clark, aos marrons em Iberê e aos pretos em Amilcar. O fator cromático também nos remete à época.

Essa obra não deve ser tratada como uma obra atípica e sim, como uma raridade. Trata-se de uma obra assinada por um grande artista que influenciou, nesta exata época artistas outros, que subscreveram movimentos transformadores na historia da arte brasileira. Ou seja trata-se de uma obra que, nenhum outro museu ou colecionador, poderá possuir. Desta forma torna-se, não a mais emblemática, mas a obra mais rara, o impar no conjunto da obra de Guignard.

Uma outa característica fundamental, além de estar reproduzida em livro, é o fato de que no verso do suporte, Guignard havia pintado uma clássica, lírica, de traços fluídicos e tintas liquefeitas, figura humana representando o artista búlgaro Konstantin Christoff.


Alexandre Paiva Frade
Galeria Ruptura-SP

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