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Artur Pereira - Guia das Artes
Artur Pereira
Informações
Nome:
Artur Pereira
Nasceu:
Mariana, MG
Faleceu:
Mariana, MG (06/06/2003)
Biografia

Artur Pereira (Cachoeira do Brumado MG 1920 - idem 2003). Escultor. Nascido em um pequeno distrito do município de Mariana, tem sete irmãos (Dorvalina, Amélia, Maria, Lucília, Geraldo, Abelardo e Rosalina)¹. Suas lembranças são de uma infância difícil: começa ainda criança a trabalhar com o pai e pouco frequenta a escola. O pai, lavrador e vendedor ambulante de panelas de pedra sabão, morre quando Artur Pereira tem entre 15 e 18 anos. A mãe é costureira e trabalha em casa. Quando rapaz, faz pequenos bichos de barro para presépios, os quais, segundo diz, muito agradam às moças do arraial².

Durante a vida, exerce as atividades de lenhador, carvoeiro e, mais tarde, pedreiro e carpinteiro, além de trabalhar na lavoura na época de roça, plantando milho, feijão e arroz. Casa-se com Juvenil dos Reis Pereira, conhecida como dona Fiota. Eles têm cinco filhos. Enquanto mora em um rancho longe da cidade, na época em que trabalha como lenhador, produz gamelas de madeira e, certa vez, esculpe em cedro uma gata que vive com ele. Apesar dos elogios, Artur Pereira deixa de lado a escultura e volta a ela apenas na década de 1960, quando se fixa novamente em Cachoeira do Brumado, depois de aproximadamente 20 anos passados na mata picando lenha e voltando à vila natal no período das chuvas³.

Sempre em cedro, passa a esculpir animais isolados, como boi, onça, cachorro e leão. As peças são pintadas com a tinta que houvesse e as partes do corpo, como membros e patas, são coladas. Em 1968, realiza suas primeiras esculturas de mais de uma figura. Trata-se de conjuntos de animais que, por vezes, incluem também homens, talhados em uma só peça de madeira. Seu primeiro conjunto é uma caçada; o segundo um presépio. Em 1971, vence um concurso de presépios promovido pela Fundação de Arte de Ouro Preto. Suas peças passam a ter maior projeção, sendo vendidas em galerias de diferentes cidades do país. É nesse período que começa a ganhar algum dinheiro com suas esculturas e passa a dedicar-se exclusivamente a isso.

Sua obra é admirada e acompanhada por marchands e artistas, como Amilcar de Castro (1920-2002), Paulo Vasconcellos (1932-2010), César Aché (1953) e Renato Madureira (1960). Em 1989, Artur Pereira tem individual no Espaço Cultural Companhia Vale do Rio Doce, no Rio de Janeiro. Suas peças são apresentadas em coletivas como Brésil, Arts Populaires (Paris, 1987) e Mostra do Redescobrimento (na Fundação Bienal de São Paulo, 2000). Em 2009, o Instituto Moreira Salles faz uma retrospectiva de sua obra, no Rio de Janeiro e em São Paulo.

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28 de Junho às 20:00

Artur Pereira - Carneiros - 20 x 15 x 17 cm - Madeira - Ass. Base - Reproduzida no catálogo da exposição individual realizada no Centro de Arte Popular da CEMIG, em Belo Horizonte, sob direção de Tadeu Bandeira.
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24 de Junho às 20:30

ARTUR PEREIRA - Escultura em madeira, 25 x 25 x 19cm, assinado na base
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28 de Junho às 20:00

Artur Pereira - Coluna com Pássaros e Bois - 53 x 19 x 20 cm - Madeira - Ass. Base

Simplificação formal, espontaneidade e pureza de estilo são as principais características do universo de bichos esculpidos pelo grande artista Artur Pereira. 

Onças, bois, ovelhas, gatos, colunas e galhadas com pássaros e frutos compõem o seu mundo animal, ou melhor, a sua constante representação da natureza. Uma arte eminentemente nacionalista pela constante exaltação da fauna e flora brasileira.
(...)
Humilde, simplório, pobre, com pouca instrução, Artur Pereira esteve sempre voltado para atividades no campo. Ele nasceu e sempre viveu em Cachoeira do Brumado, pequeno distrito da cidade mineira de Mariana. Sua vida profissional foi iniciada na lavoura como lenhador e carvoeiro, tendo trabalhado ainda como emboçador. Seu convívio com a madeira se deu inicialmente através da execução de gamelas. A partir daí, o ofício da escultura surge naturalmente, sendo o cedro branco o material de sua preferência.

Em meio a uma vida rural, “Seu Artur” conviveu também com um ambiente religioso. Mariana, primeira vila de Minas Gerais e primeira capital do estado, foi sede do primeiro bispado. Fundada na época da corrida do ouro, no século XVII, sua paisagem foi sempre cortada pelas torres das inúmeras igrejas. O badalo dos sinos, as procissões, as festas religiosas e os concertos dominicais na catedral ao som do famoso órgão alemão “Arp Schnitger”, presenteado pela Coroa Portuguesa ao Bispo de Mariana, certamente que muito contribuíram para a formação religiosa do artista. Assim, um dos meios de “Seu Artur” expressar a sua fé foi a contínua construção de presépios como gesto de representação do nascimento de Jesus Cristo. O primeiro deles executado nos setenta foi objeto de premiação junto à Fundação de Arte de Ouro Preto. Daí em diante, esse tema passou a ser uma constante em sua obra, simbolizando toda a sua fé cristã. 
(...)
As relações de convívio e interação entre os animais e ainda sua fé cristã constituem uma fonte de inspiração e uma constância na obra desse artista, considerado hoje um dos grandes nomes da escultura brasileira.

Tadeu Bandeira
Curador e Diretor do Centro de Arte Popular da Cemig
Trecho extraído do catálogo da exposição “Fauna e Fé” realizada ente nov/18 e mar/19 no Centro de Arte Popular da Cemig
Obras deste artista