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Ana Laura Girio - Guia das Artes
Ana Laura Girio
Informações
Nome:
Ana Laura Girio
Nasceu:
Salvador - Bahia - Brasil (27/12/1961)
Sobre o artista

A produção de Ana Laura é profundamente marcada pelo uso de conchas marinhas, que para ela são verdadeiras obras de arte da natureza, e a proximidade ao mar de Salvador apenas reforçou essa percepção. Para ela, essas estruturas simbolizam o feminino, com suas formas sensuais, protetoras, e a capacidade de transformar cicatrizes em pérolas — uma metáfora que ressoa em toda sua prática artística. As conchas não são apenas meros utensílios artísticos, mas carregam uma narrativa biográfica, contando histórias de vivência repletas de simbologia e memórias afetivas.

Essa simbologia é refletida em diversos dos seus trabalhos, como a coleção Jardim do Mar, constituída por telas que remetem à perfeição do Éden. Cada peça é inspirada na diversidade e beleza natural das diferentes nações e continentes, sua representação canalizada através da composição de certas conchas e búzios. O número sete, tradicionalmente associado à perfeição divina, também se faz presente como elemento compositor dessas obras, reforçando ainda mais o conceito de profundidade espiritual. Esse diálogo entre natureza e espiritualidade também se manifesta em obras como Orquídea do Mar, onde a união poética de flores e conchas sugere a fusão do terrestre e do aquático, e Cores do Japão, que exalta a vibrante e exótica diversidade da vida marinha, apelando para a beleza oculta dos oceanos.

A simbologia das conchas, em diversas culturas, vai além da forma. Elas são vistas como talismãs de proteção, renovação e fertilidade, ligadas ao feminino e à transformação. Em tradições espirituais, como o cristianismo e a Umbanda, elas representam vida, ressurreição e proteção. Apropriando-se desses conceitos, a artista Ana Laura ressignifica esses objetos de uma forma pessoal e única, incorporando essa rica simbologia em sua arte, que se torna um veículo de reflexão sobre a vida, a natureza e o poder transformador do feminino.

A série de pictogramas arbóreos contendo as obras Árvore Africana e Palmeira Africana também ressaltam a conexão entre a natureza e a diversidade cultural, ecoando um tributo à beleza única da vegetação do continente africano e à singularidade dos materiais utilizados, sem esquecer de prestar homenagem à tradição histórica da utilização de conchas pelos povos originários desse local.

Essa rica interseção entre biografia, natureza e simbologia confere às obras da artista uma profundidade que vai além do visual, instigando uma experiência estética e reflexiva por parte do observador.

Biografia

Artista Visual , autodidata , exposições diversas desde 1982 e participação no Salão Paulista de Belas Artes.   

A artista visual Ana Laura possui uma trajetória de mais de 40 anos de produção. Sua primeira exposição individual ocorreu no foyer do Teatro Castro Alves (TCA), o mesmo local que Lina Bo Bardi escolheu para expor pela primeira vez a coleção dos artistas modernos, que futuramente faria parte do Museu de Arte Moderna da Bahia.

Como tantas outras artistas, Ana Laura teve que enfrentar as pressões da sociedade, que frequentemente exige que as mulheres sejam responsáveis pelo núcleo familiar e escolham carreiras que garantam o sustento do lar. Devido a essas cobranças, ela relegou a arte a um segundo plano por um longo período, interrompendo sua produção artística por quase 10 anos.

No entanto, sua paixão pela arte prevaleceu e, ao se libertar das expectativas sociais, Ana Laura retomou seu trabalho. Sua primeira série de obras nesse período de retorno foram representações florais, criando seu “jardim artístico”, um refúgio lúdico para si mesma.

Ana Laura sempre incorporou conchas em suas telas, objetos que ela define como “obras de arte da natureza”. Fascinada desde a infância por essas diminutas estruturas naturais, especialmente por nascer em Salvador, cidade onde o mar é parte integrante do cotidiano de seus habitantes, a artista transforma suas experiências e percepções em obras com poética e beleza, compondo infinitos universos artísticos através de suas mãos. A concha se torna a alegoria do feminino, uma coleção de formas delicadas que são, na verdade, duras carapaças protetoras, detentora da incrível habilidade de transformar cicatrizes em pérolas.

Existe uma narrativa biográfica em sua obra, um simbolismo que ela usa para contar a história de suas experiências, dores, crenças e paixões. Ana Laura consegue unir vida e arte, utilizando suas emoções como matéria-prima de seu trabalho. Arte e meio ambiente se fundem de uma maneira que vai além do encantamento em suas telas, empregando elementos naturais assim como um poeta usa palavras, servindo como mensageira de uma linguagem cifrada guiada pelo mar.

BOSETTO, Etiennette J. Projeto Exposição Conchas Preciosas: uma jornada pelo mar de Ana Laura Lacerda. Salvador, [202-?]. 22 p. Portfólio de consultoria artística.

Cronologia


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