Carregando... aguarde
Janelas Indiscretas eu vejo o que você ve-2022-06-14 - Guia das Artes
“Janelas Indiscretas, eu vejo o que você vê?”
amanhã às 12:00h
“Janelas Indiscretas, eu vejo o que você vê?”
Quando acontece
Terça, 14 Junho até Sábado, 23 Julho
dom
seg
ter
12:00
19:00
qua
12:00
19:00
qui
12:00
19:00
sex
12:00
19:00
sab
12:00
19:00
Local
Centro Cultural Correios RJ
Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro
Conteúdo

 

Ocupação fotográfica de Marilou Winograd abre no Centro Cultural Correios RJ

 

Curiosidade, indiscrição ou procura de comunicação? Objeto de uma pesquisa realizada aos longo de 18 meses, “Janelas Indiscretas, eu vejo o que você vê?”, individual de Marilou Winograd, teve início no isolamento decorrente da pandemia. Recolhida, com o universo visual reduzido, a geometria das janelas e a nova geometria dançante que se estabelecia ao anoitecer, com os pequenos pontos de luz piscando na escuridão, aguçaram o olhar da artista. Sob curadoria de Alexandre Murucci, a ocupação fotográfica é produzida por Carlos Bertão e Alê Teixeira e será aberta no dia 11 de junho, sábado, no Centro Cultural Correios RJ.

 

“Numa Copacabana desértica, silenciosa e triste, o apelo do surgir de cada farol aceso aquecia minha solidão à procura de alguma vida pulsando, nas sombras e silhuetas sugeridas. Comecei a fotografar todas as noites em diversos horários estes espaços iluminados, isolados, pequenos universos de calor e energia. Quantas historias e vidas em suspenso, juntas, mas separadas...”, relembra Marilou Winograd.

 

Poltrona, mesinha e dois bancos altos, um em cada janela, farão parte da sala redonda Proa. Serão usadas ao todo 20 ampliações grandes, medindo 100cm x 150cm, além de cerca de 150 fotos menores (30cm x 40cm), que serão sobrepostas. Haverá um ação performática no dia da vernissage.

 

Em sua crônica de um tempo difícil, Marilou parte de fotos de ambiência hooperniana, onde ausências se transformam em personagens, até chegar em imagens difusas, experimentais, comodamente situadas na tradição fotográfica brasileira, de artistas como José Oiticica Filho e Geraldo de Barros. Quase abstratas, são, não apenas sua abordagem pictórica, mas também seu testemunho existencial, uma potência que reverbera intensamente em sua janela não-discreta. Uma janela que bradou por vida, enquanto a vida ficou suspensa, transmutando-se em arte pelo seu olhar.  Olhar este que nos indaga, humanamente ‘Eu vejo o que você vê?’”, analisa o curador Alexandre Murucci.

 

“Janelas Indiscretas, eu vejo o que você vê?”, segundo Alexandre Murucci

A obra de Marilou Winograd sempre foi pautada por atmosferas e memórias. Mesmo quando a subjetividade de sua composição formal se impõe, há um claro "psicologismo" sobre nossa recepção da realidade que propõe. Trabalhando com fotografias e a expansão de suas faturas em objetos e instalações em grande parte do corpo de sua produção, a artista mantém um rigoroso vocabulário plástico, ao mesmo tempo, suave e vigoroso. Na mostra que agora apresenta, Marilou nos traz um compêndio visual que mapeou sentimentos comuns à maioria das pessoas, neste período incomum do que foi a vida durante o período da grande pandemia da era contemporânea - a suspensão de nossas possibilidades de interação social e toda a angústia que isto provocou - globalmente. Neste trabalho, a artista instaura, a partir de sua própria sobrevivência emocional, uma geografia relacional com seu âmbito doméstico - aquilo que seu espaço lhe permitia apreender do mundo exterior, através de sua janela e de seu olhar como opção de comunicação restante, num momento que ficamos aprisionados em nossas circunstâncias.   Na exclusão física imposta, não bastou à artista as ferramentas que o admirável mundo novo nos proporciona.  Sua vontade de estar com o outro, expandiu-se pela procura de gestos, de vivências, de acenos possíveis, vistos da janela de seu apartamento, pairando por sobre uma Copacabana desértica, seu único canal de resiliência. De respiro!

Num clássico da cinematografia universal "Janela Indiscreta", de meados do século XX, o personagem principal, vivido por Jimmy Stewart, seguia na observação solitária, preso na incomunicabilidade de sua vida, refletindo a ansiedade e desconexão de nossos tempos, que já se estruturava no horizonte, com a difusão da TV e que hoje, potencializada pela vida digital, tornou-se o padrão de nossas relações. Aquilo que o sociólogo David Riesman chamou apropriadamente de “a multidão solitária”, pois já em seu livro de 1950, deferiu que a sociedade contemporânea tinha sido atomizada e cada vez mais seria caracterizada por pessoas vivendo entre si, mas à parte umas das outras. Porém, diferente da observação fria da trama policialesca do filme, o olhar da artista é empático, solidário... Foi, através do registro poético, sua forma de manter seu lugar no mundo.  E naquilo que sua sensibilidade transformou em urgência de expressão, nos brinda com uma abordagem documental desta experiência humana conjunta, que ainda será visitada muitas vezes, à luz da história. Neste percurso primordial, de procura pela vida que transbordava por frestas, luzes, sombras, salas, varandas e silêncios, Marilou vai desenvolvendo um tratado plástico, interagindo em nossa percepção, até que as imagens, à priori presas à realidade emoldurada por geometrias sensíveis, se diluam ao explodirem em movimentos de cores e formas de um repertório expressionista. Fauvista, poderíamos dizer. Isto, que de outra forma, se apresentaria como um desenvolvimento de autoralidade sobre o trabalho, é ainda mais tocante, por confidenciar que sua percepção atual do mundo, passa por um processo de acomodação sensorial, após algumas intervenções oftalmo-cirúrgicas que sofreu.   Ao nos trazer, em algumas imagens, aquilo que por vezes é seu limite de apreensão visual do mundo, ela nos dá oportunidade de um exemplo mais amplo de empatia, nos proporcionando o lugar do outro - a alteridade do "Em-si (en-soi)"/"Para-si (pour-soi)", como colocou Sartre, em contraponto com os limites descarteanos da existência solitária do homem. 

 

Saiba mais sobre Marilou Winograd

Nascida no Cairo, Egito, Marilou Winograd chega ao Brasil, no Rio de Janeiro, em 1960. Formada em Artes no CEAC (Centro de Arte Contemporânea), IBA (Instituto de Belas Artes) e EAV (Escola de Artes Visuais) do Parque Lage, no Rio de Janeiro, Brasil. Participou de exposições individuais e coletivas, congressos e seminários no Brasil e no exterior (1971/2022). É uma das curadoras do projeto Zona Oculta – entre o público e o privado, com 350 artistas mulheres (2004/2014), do projeto Acesso Arte Contemporânea, com 179 artistas visuais (2011/2022) e de várias coletivas, ocupações e convocatórias. Em 2004, publicou o livro “O Silêncio do Branco”, relato visual de sua viagem à Antártica, num contraponto com a sua obra. Entre os países onde já expôs, além do Brasil, estão: França (Paris), Alemanha (Berlim e Colônia), Argentina (Buenos Aires), Itália (Roma) e Portugal (Lisboa). 

 

Serviço:

“Janelas Indiscretas, eu vejo o que você vê?”

Abertura: 11 de junho, sábado, das 16h às 19h

Visitação: de 14 de junho a 23 de julho de 2022

Curadoria: Alexandre Murucci

Produção: Carlos Bertão e Alê Teixeira/EntreArte

Centro Cultural Correios RJ

Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro - RJ

Horário: de terça a sábado, das 12h às 19h

Entrada gratuita

Contatos Marilou Winograd: www.mwinograd@uol.com.br / www.acessoartecontemporanea.com.br / www.zonaoculta.com.br

Contato Alexandre Murucci: @alexandremurucciart

Contatos EntreArte: @entrearteconsultoria / @cbertao / @aleartale

Informações à imprensa: BriefCom Assessoria de Comunicação: Bia Sampaio: +55 21 98181-8351/ de biasampaio@briefcom.com.br

* Os horários podem variar em função de férias e feriados. Recomendamos ligar antes para verificar.
Fotos
Compartilhe
Comente
Mais Opções em "Rio de Janeiro"
"...no silêncio das flores" -
Saiba mais
"De-lírios" - Deborah Netto abre a exposição "De-lírios" no Centro Cultural Correios RJ, apresentando 32 pinturas com a técnica encáustica
Saiba mais
'Terra em tempos: fotografias do Brasil -
Saiba mais
1500 BABILÔNIA GALERIA - “Redesenhos” é mostra de série inédita do fotógrafo Edouard Fraipont composta de sete imagens e um vídeo. Ele explora o conceito de fotoperformance, em parceria com a coreógrafa e bailarina Alexandra Naudet, e propõe figuras redesenhadas pelo movimento do
Saiba mais
A Gentil Carioca - Fundado em setembro de 2003 pelos artistas plásticos Ernesto Neto, Franklin Cassaro, Laura Lima e Márcio Botner, esse espaço para a arte contemporânea representa e mantém em acervo obras dos artistas Thiago Rocha Pitta, João Modé, Jarbas Lopes, Paulo Nenf
Saiba mais
ALMACÉN GALERIA DE ARTE BARRA DA TIJUCA - Estabelecida no CasaShopping, na Barra da Tijuca, desde 1986, a galeria mantém em acervo obras de Tomie Ohtake, Cildo Meireles, Antonio Dias, Marco Coelho Benjamim, Fernando Velloso, Walter Goldfarb, Cruz-Diez, Jussara Age, Yuli Geszti, Silvio Baptista, H
Saiba mais
AMARELONEGRO ARTE CONTEMPORÂNEA - O artista curitibano Juan Parada apresenta na exposição “Teto Verde” uma grande instalação. A obra, que tem o formato de uma casa, está disposta de cabeça para baixo. Destaque para o teto verde, no qual o a terra está por cima e as plantas crescem para ba
Saiba mais
ANTIGA FÁBRICA DA BHERING - O espaço onde funcionava a ex-fábrica de chocolates Bhering, abriga 52 ateliês de artistas e 22 pequenas empresas do ramo cultural. O maquinário e as antigas instalações da fábrica servem de inspiração para criação e também são incorporados aos trabalhos
Saiba mais
ATELIER CURVELO - Instalado em um casarão de 1896 com vista para a Baia de Guanabara, em Santa Teresa, o espaço abriga criações do artista plástico Zemog e peças de sua esposa, a designer Rita Dias. Zemog usa materiais nada nobres como tampinhas de refrigerante, espelhos e
Saiba mais
BIBLIOTECA NACIONAL - O prédio, em estilo neoclássico, foi projetado pelo arquiteto Francisco Marcelino de Souza Aguiar. Inaugurado em 1910, reúne um acervo de cerca de nove milhões de peças, entre raridades como a Bíblia de Mogúncia, impressa em 1462, a edição dos Lusíadas de
Saiba mais
Circuito de arte contemporânea do museu do açude ganha obras permanentes- CIRCUITO DE ARTE CONTEMPORÂNEA DO MUSEU DO AÇUDE GANHA OBRAS PERMANENTES DE WALTERCIO CALDAS, ANGELO VENOSA E JOSÉ RESENDE
Saiba mais
ESPAÇO CULTURAL MUNICIPAL SÉRGIO PORTO - O local é um dos espaços culturais mais interessantes do Rio. Integra a Rede Municipal de Teatros da Secretaria Municipal de Cultura. Tem uma programação variada, com exposições de arte, palestras, debates, workshops, espetáculos de teatro, recitais de po
Saiba mais
FUNDAÇÃO CASA DE RUI BARBOSA - A mansão onde está instalado o museu, construída em 1849, em estilo neoclássico, serviu de residência a Rui Barbosa (1849-1923) durante os últimos 28 anos de sua vida. Possui um acervo de 1.400 peças de mobiliário, objetos decorativos e de uso pessoal e p
Saiba mais
Galeria Valdir Teixeira -
Saiba mais
Ivan Serpa & Amigos - Rio de Janeiro ganha nova galeria de arte em Copacabana
Saiba mais
Portinari Raros -
Saiba mais
“Hal Wildson – Re-Utopya” -
Saiba mais
“Janelas Indiscretas, eu vejo o que você vê?” -
Saiba mais