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Na contramão da crise, galerias de arte do DF têm 2020 de sucesso - Guia das Artes
Na contramão da crise, galerias de arte do DF têm 2020 de sucesso
Na contramão da crise, galerias de arte do DF têm 2020 de sucesso
Espaços migraram em peso para a internet e descobriram novas formas de atuação para superar obstáculos da pandemia
inserido em 2020-10-07 14:27:45
Conteúdo

 

A pandemia do novo coronavírus atingiu em cheio o setor cultural, incluindo o mercado de arte moderna e contemporânea.

Nesse cenário, as galerias, cuja lógica difere dos museus, por dependerem principalmente da venda de obras, tiveram de se reinventar para manter o interesse do público e garantir sua sustentabilidade financeira.

 

Os estabelecimentos brasilienses têm obtido sucesso nessa empreitada. Na contramão do cenário global, que encolheu 36% em relação ao ano passado, segundo uma pesquisa recém-divulgada pela Art Basel, proprietários e curadores de espaços sediados na capital sustentam que 2020 foi um ano desafiador, mas, em geral, de crescimento.

 

Assim como vários outros setores, o comércio de arte migrou em peso para a internet, onde deve continuar marcando presença, mesmo com espaços físicos reabertos. Essa estratégia, segundo Karla Osório, fez a galeria que leva seu nome ter um desempenho surpreendente nos últimos meses.

“A galeria cresceu muito. A gente era de um dinâmica completamente física, presencial. Eu estava sempre viajando pra fazer feiras. Acreditava que um bom galerista era como um caixeiro viajante, precisava se deslocar. A pandemia me obrigou a me familiarizar com as ferramentas tecnológicas. A partir daí, descobrimos alternativas de aproximação com clientes, instituições e artistas. É muito estranho reconhecer isso, mas é algo que precisávamos aprender nesse período”, conta a empresária.

 

Apesar da inexperiência digital, Karla comemora a realização de 100 lives entre março e outubro deste ano e um lucro maior em eventos virtuais do que os obtidos no ano passado. “Vendi mais na edição on-line da SP-Arte que na versão presencial do ano passado” exemplifica.

Com a galeria reaberta na última semana, com uma exposição em cartaz, visitas sujeitas a agendamento prévio e novos protocolos, em respeito às medidas de distanciamento social, Karla Osório tem se desdobrando para atender os interessados em voltar a frequentar seu espaço físico. O que é mais um sinal de que as pessoas estreitaram sua relação com a arte — e não o contrário.

“Muita gente se interessava pelo assunto, mas ficava intimidado de entrar em uma galeria, de participar de um curso, uma visitação. Coisas que a pandemia, a despeito de todos os problemas que causou, gerou de graça. Museus, galerias, instituições promoveram conteúdos de altíssima qualidade, que aproximou as pessoas desse conhecimento”, conclui Karla.

 

A galeria do curador e marchand Oto Reifschneider atua com foco em pesquisa, concepção de exposições e vendas de obras de arte. A crise afetou as mostras, mas foi durante a pausa que ele pôde alcançar novos interessados.

“Foi um ano surpreendentemente bom. Todos os comerciantes foram afetados, mas depende muito de quem é seu público. E Brasília tem essa característica do funcionalismo público”, opina Oto. “Quem trabalha minimamente uma presença virtual notou uma melhora no movimento. Eu tenho uma loja on-line, que está basicamente desativada, mas o Instagram e o Facebook fizeram muita diferença”, completa.

 

Com essa “ajudinha digital”, ele enviou peças para várias estados brasileiros e está tirando do papel planos de ampliar o espaço expositivo.

 

Para ele, esse movimento de modernização tem contribuído não só para ampliar o interesse popular por arte como para desconstruir a ideia de que ela é inacessível. “Tem obra cara, mas tem obra de R$ 400. É não é impressão digital, é original, com tiragem baixa. Existe coisa muito boa acessível e para todos os bolsos”, defende.

 

Sócia-proprietária da Referência Galeria de Arte, Onice Moraes já estava no ambiente virtual quando a pandemia começou, o que ajudou o estabelecimento a ter um “ano quase normal”. Ainda assim, ela se surpreendeu com a dinâmica das feiras digitais, das quais começou a participar. “A gente acaba tendo uma visibilidade muito maior que em um evento presencial. Na SP-Arte, 20% das vendas foram para outros países”.

HARUO MIKAMI/DIVULGAÇÃO
Referência Galeria de Arte
 

A Pilastra, no Guará II, funciona como galeria, estúdio de produção audiovisual e ateliê aberto aos artistas. Por isso, não se mantém pela venda das obras, mas por um conjunto de atividades, incluindo a sublocação do espaço e oferta de cursos. Sem ter como abrir as portas, os administradores passaram meses difíceis.

 

“Não conseguimos sustentar o imóvel que a gente alugava e encontramos outro espaço, ainda na QE 40 por um terço do valor do valor. Guardamos os móveis e as obras que estão sob nossa guarda e resolvemos investir nos cursos on-line. Foi um período de adaptação, com marketing digital, novas plataformas, e outras demandas que a virtualidade exige. E a recepção está sendo muito boa”, resume Gisele Lima, 25 anos, uma das coordenadoras da galeria.

Ainda preocupados com a pandemia do novo coronavírus, A Pilastra é, entre as casas ouvidas, a única que não pretende retomar os atendimentos presenciais este ano.

 

“Estamos realizando cursos com valores acessíveis, para atingir artistas e outros agentes culturais dissidentes. Isso está sendo muito acertado. No final, A Pilastra paga as contas sozinha pela primeira vez desde que foi aberta. A gente sabe que ainda temos muitos desafios, como de retomar o espaço físico, mas é nosso próximo passo”, conclui.

 

 

 

Fonte: https://www.metropoles.com/entretenimento/exposicao/na-contramao-da-crise-galerias-de-arte-do-df-tem-2020-de-sucesso

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